Um aspeto
importante a ter em conta é o do papel da educação na forma como perspetivamos
e até no modo como desejamos a solidão, o recolhimento interior. Sem educação
(e aqui referimo-nos, sobretudo, à educação formal, institucional e académica)
teremos dificuldade em compreender a relevância da solidão na busca pelo autoconhecimento,
mas também para sabermos manter o foco e disciplinar a capacidade de
concentração.
Por outro lado, sem sede de conhecimento,
sem interesse pela cultura (tanto a baixa
como a alta cultura, se quisermos
adotar tal distinção elitista, mas, quanto a nós, são ambas igualmente
importantes e o seu acesso deve ser justamente democratizado) não saberemos
como desfrutar do tempo em tebaida, teremos até aversão à perspetiva de
dedicarmos tempo a nós próprios, considerando-o inútil e o equivalente a um certo
descaminho. Mas, também nesse caso, seremos incapazes de entender o valor de um
livro (não o conseguiremos verdadeiramente ler, dada a concentração e o foco
que a leitura exige), não poderemos desfruir da audição de um disco de John
Coltrane, o êxtase proporcionado pela contemplação do Belo (por exemplo, um
quadro de Vermeer) ser-nos-á inacessível, assim como será impossível perceber o
puro prazer estético proporcionado pelo visionamento de um filme de Ingmar
Bergman.

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