Na sua autobiografia,
Woody Allen confessa que a sua maior fobia é o medo de entrar. Convidado frequentemente a festas de gente ilustre (por
vezes, políticos ou artistas que ele muito admirava) deixava-se ficar à porta a
esforçar-se por superar o medo de entrar
e ser forçado a estar presente, a ter que sorrir e socializar.
Na verdade, sempre vimos com melhores olhos
pessoas populares e altamente sociáveis do que aquelas que preferem estar sós. Contudo,
tal como Woody Allen, na maior parte das vezes, também eu “prefiro ficar no meu
apartamento”. Por isso, há que conseguir dizê-lo alto e bom som; sabermos recusar o convite sem receio do que os outros
possam pensar. Nesse aspeto, a personalidade daquele cineasta norte-americano é
admirável, aliás, chegou a recusar prémios pela sua obra porque a condição para
os receber seria ter que estar presente na cerimónia de entrega e recebê-los pessoalmente.
No início, pode custar, mas cedo nos habituaremos
a decidir autonomamente, não cedendo a pressões ou a preocupações com aquilo que
os outros irão pensar. Diz um conhecido aforismo que se é verdade que não posso controlar o que os outros pensam, posso controlar
aquilo que penso.

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