Aos leitores deste blogue, desejo um Natal pleno de luz, saúde, amizade, paz e sabedoria na
esperança de que cada um de nós seja, pelo menos uma vez no ano, em si
mesmo Amor.
Ideias, opiniões, gostos, prazeres, fruições, sensibilidades e rotinas serão aqui registadas.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Prémio Nobel da Paz 2014
A paquistanesa Malala Yousafzai e o indiano Kailash Satyarthi receberam na semana passada, em Oslo, o prémio Nobel da Paz, pelo trabalho na defesa dos direitos das crianças. Malala lutava pelo direito das meninas à educação quando, em outubro de 2012, foi baleada na cabeça pelos talibãs; com 17 anos, é a mais jovem premiada de sempre. Satyarthi, 60 anos, coloca a vida em risco para salvar milhares da escravatura infantil. Por crianças esquecidas e silenciadas, Paquistão e Índia reconciliaram-se. Por umas horas.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Duas peças de Simon Stephens: "Um Precipício no Mar" e "Punk Rock"
Ler Teatro (refiro-me a textos pensados para o palco) é uma experiência criativa: exalta a imaginação, levando o leitor a idealizar a sua própria encenação; o leitor tem, assim, a oportunidade de transcender o seu lugar natural - o de ser público/espectador -, assumindo, hipoteticamente, o papel de encenador.
Neste contexto, recomendo a experiência de leitura de duas peças de Simon Stephens, dramaturgo nascido em 1971, em Stockport, Cheshire: Um Precipício no Mar e Punk Rock estão editadas num único volume da apaixonante coleção Livrinhos de Teatro, dos Artistas Unidos.
O primeiro texto é um monólogo desencantado sobre a perda, a irremediável e autoflagelante dor de um pai perante a absurda morte da filha. Por seu turno, Punk Rock é uma peça áspera sobre adolescência e bullying.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Banda sonora para o outono - Genesis: "R-Kive"
Com Pink Floyd e Yes, os Genesis formam o sacrossanto triunvirato do rock progressivo. Acabam de lançar o seu mais detalhado acervo com o triplo R-Kive. Trata-se de uma coletânea que reúne excertos das três fases da banda britânica, além de músicas representativas dos projetos de Peter Gabriel, Steve Hackett, Tony Banks, Mike Rutherford e Phil Collins fora dos Genesis. Num século que parece apostado em eliminar a memória dos clássicos da cultura popular, é bom lembrar que os Genesis trouxeram ao mundo obras como Selling England by the Pound, Foxtrot, The Lamb Lies Down on Broadway, Wind & Wuthering e A Trick of the Tail. Ouvir Genesis, hoje, é saber que houve um tempo em que os músicos populares não temiam o risco e procuravam persistentemente fazer Arte. E, mais estranho, vendiam a sua obra às massas. Era o tempo em que as estações de televisão e as emissoras de rádio cumpriam o seu papel de educar o público.
Ouçam-se canções como The Carpet Crawlers e Mama e compare-se com o que hodiernamente se ouve nas rádios. A música dos Genesis não tem paralelo com a maioria do rock contemporâneo, sendo, ainda hoje, mais moderna e ousada do que aquilo que se ouve por aí. Genesis R-Kive é, indubitavelmente, um dos acontecimentos discográficos de 2014.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Estado do Mundo (24) - o degelo da Antártida e da Gronelândia
As duas maiores camadas de gelo do planeta estão a derreter a um ritmo nunca antes registado. De acordo com um estudo recente baseado em imagens registadas por satélite, a Gronelândia e a Antártida têm vindo a perder, no seu conjunto, cerca de 500 quilómetros cúbicos todos os anos, o equivalente a um cubo cujos lados têm o comprimento aproximado de Portugal.
O grupo de cientistas austríacos e canadianos envolvidos na investigação culpa o aquecimento global, nomeadamente a queima de carvão, petróleo e gás, assim como as mudanças no uso da terra junto aos glaciares, pela diminuição do nível de gelo.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Banda sonora para o outono - Pink Floyd: "The Endless River"
Não podíamos deixar passar ao lado aquele que é, talvez, o acontecimento musical de 2014: o lançamento do novo álbum dos Pink Floyd, The Endless River. Primeiro, porque se trata quase de certeza da última obra da mítica banda de rock progressivo; depois, porque é um disco de uma humildade desconcertante, revelando a maturidade de dois músicos (David Gilmour e Nick Mason) que já nada têm a provar ao mundo, certos de que já imprimiram a sua marca incontornável na história da arte há muitos anos atrás; mas sobretudo porque The Endless River é uma comovente homenagem a Rick Wright. É como se os Pink Floyd celebrassem uma última vez o prazer de estar em estúdio antes de saírem pela porta principal, talvez com um olhar sereno por cima do ombro e fechando a porta suavemente.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Estado do Mundo (23) - a violência sobre as mulheres na África do Sul
Todas as semanas mais de dez mulheres sul-africanas são violadas na Cidade do Cabo para "curar a sua homossexualidade". Sofrem as chamadas "violações corretivas", muitas delas em grupo. Não são raros os casos em que, na sequência dessas violações e agressões, algumas vezes fatais, as mulheres sejam contagiadas como doenças venéreas, como a sida.
A maior parte destas mulheres, muitas delas residentes em zonas pobres da África do Sul, nem sequer apresentam queixa à polícia, conscientes de que as autoridades não fazem nada a este respeito.
A ONG Action Aid calcula que são violadas 500 mil mulheres por ano no país, e que na esmagadora maioria os agressores ficam impunes. Segundo a organização, de cada 25 homens que assassinam lésbicas, 24 saem em liberdade.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Invenções sociais(2)
Como é que uma garrafa de água mudou o mundo? Em 2002, um mecânico brasileiro teve a ideia de usar uma garrafa de plástico para iluminar espaços interiores, partindo de orifícios nas casas para trazer a luz solar para o interior. Em 2011, a fundação filipina MySheltter, com a ajuda do MIT, criou um novo protótipo e começou a instalá-lo num dos bairros mais pobres do país, Sitio Maligaya. Desde então foram instaladas 15 mil garrafas solares em 20 cidades filipinas e perto de 200 mil em projeto idênticos em 15 países como Bangladesh, Colômbia ou México.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
"Lucy" - o sentido da existência, segundo Luc Besson (2)
Lucy marca o regresso ao genuíno cinema de Besson: o thriller como premissa maior, a mulher como símbolo da criação, um argumento que parece juntar demasiadas ideias em simultâneo, como se de um puzzle narrativo se tratasse, mas com peças a menos e outras fora do sítio, personagens vulgares em situações-limite, e um ritmo feérico, embora mais implosivo que explosivo. Mas desenganem-se aqueles que pensem que estamos perante um filme despretensioso. Bem pelo contrário, Lucy é percorrido por inserts filosóficos (imagens e palavras) acerca da criação do mundo, dos primórdios da existência humana (a Lucy do título não serve apenas para identificar a personagem brilhantemente interpretada por Scarlet Johanson), das potencialidades do cérebro humano e do destino da humanidade.
De algum modo, é legítimo compararmos a película de Besson com o mais recente filme de Terry Gilliam, O Teorema Zero. São duas obras filosóficas mascaradas de filmes de ficção científica, sendo também duas obras formalmente arriscadas.
De algum modo, é legítimo compararmos a película de Besson com o mais recente filme de Terry Gilliam, O Teorema Zero. São duas obras filosóficas mascaradas de filmes de ficção científica, sendo também duas obras formalmente arriscadas.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
"Lucy" - o sentido da existência, segundo Luc Besson (1)
O nome de Luc Besson é já uma marca internacional associada a um cinema global ou além-fronteiras. Mais que um cineasta, produtor, argumentista e escritor francês, Besson é um artista do mundo. Curiosamente, e ao contrário do que muitos pensam, não tem traçado o seu caminho imitando o cinema americano mas sim criando o seu próprio percurso, a sua singular estética e a sua marca autoral. Além disso, é um empresário de sucesso capaz de investir em filmes altamente lucrativos. Relembre-se, a título de exemplo, fitas tão icónicas como: Vertigem Azul (1988), Nikita (1990), Leon, o profissional (1994), O 5º elemento (1997), Joana d'Arc (1999) ou Artur e os minimeus (2006), clássicos inquestionáveis da cultura popular dos séculos XX e XXI. Aqui para o escriba, no cinema como na vida, não há amor como o primeiro, por isso continuo a eleger Subterrâneo (1985) como a melhor obra de Luc Besson.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Estado da Nação (9) - famílias ajustam, Estado e grandes empresas desequilibram
No dia 21 de agosto, o Banco de Potugal atualizou os valores do endividamento da economia portuguesa em junho de 2014, conclíndo-se que as administrações públicas e as grandes empresas não estão a quebrar o ciclo de contrair dívidas atrás de dívidas, anulando o esforço com que famílias e empresas de menor dimensão têm avançado desde a chegada da troika.
Novamente, um país a duas velocidades, em que os que têm menos recursos fazem o esforço do tão desejado ajustamento orçamental, e os mais ricos - e, já agora, mais exploradores - esbanjam e pedem ainda mais.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Estado do Mundo (22) – a tragédia da violência sobre as crianças
O relatório "Hidden in Plain
Sight" divulgado no passado dia 5 de setembro pela Unicef revela que já
foram violadas 120 milhões de raparigas até aos 20 anos de idade. De acordo com
os dados da organização internacional, uma em cada dez crianças e jovens já foi
vítima de violação. O estudo inclui dados de 190 países e conclui também que um
quinto das vítimas de homicídio são provenientes de países da América Latina,
em particular da Venezuela, Colômbia, Panamá e Brasil. Outro dos perigos
recentes com que as crianças têm de lidar é o bullying, uma vez que tem incidido sobre um maior número de
crianças: um em cada três estudantes com idades entre os 13 e os 15 anos é
vítima deste crime na escola. Por seu lado, as punições físicas severas e de
forma repetida afetam 17% dos jovens em 58 países espalhados pelo globo.
No relatório, que já está
disponível para consulta pública, a organização que protege os direitos das
crianças chega a várias conclusões relativamente aos crimes mais comuns. A
violência sexual é aquela que preocupa mais os responsáveis porque atinge
crianças e jovens em todo o mundo. No entanto, é na República Democrática do
Congo e na Guiné-Equatorial que existe a maior percentagem de crimes praticados
pelos parceiros. Um quinto das vítimas de homicídio a nível global são crianças
e adolescentes com idade inferior a 20 anos. Em 2012 morreram 95 mil menores,
sendo o Panamá, El Salvador, Trindade e Tobago e Guatemala os países onde o
homicídio é a principal causa de morte, principalmente nos indivíduos do sexo
masculino. Contudo, é na Nigéria que se regista a maior taxa deste tipo de
violência infantil, com 13 mil casos.
A instituição faz uma análise aos
crimes cometidos contra menores de idade, sobretudo as raparigas, mas também
faz importantes recomendações para evitar o aumento do número de casos. A
entidade solicita que se fomente o apoio junto dos pais e das crianças para adotarem
comportamentos e atitudes diferentes, bem como que se alerte o sistema judicial
para este tipo de crimes.
sábado, 27 de setembro de 2014
Banda sonora para o outono - Alt-J: "This Is All Yours"
Adivinha-se um outono com muitos bons discos, sendo, definitivamente, esta a estação do ano pródiga em Arte, assim na música como nas exposições, nos livros e no cinema.
Vejamos: os U2 regressaram em força com Songs of Innocence, Leonard Cohen comemorou oito décadas de vida com o belíssimo Popular Problems, Thom Yorke aprofunda texturas eletrónicas em Tomorrow's Modern Boxes e os Alt-Jay crescem a olhos vistos no seu segundo LP, This is All Yours. São 13 delicadas canções pop, que anunciam a estação da melancolia redentora. Quando revisitarmos 2014 para escolher as melhores canções, talvez não selecionemos qualquer tema do novo disco dos Alt-J porque se trata de uma obra onde o todo é mais importante que a soma das partes. Mesmo assim, arrisco "Nara" e "Hunger of the Pine" como duas das canções do ano.
Um álbum obrigatório!
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Estado do Mundo (21) - as abelhas estão a morrer
"Quando as abelhas desaparecerem da face da Terra, o Homem tem apenas quatro anos de vida."
Albert Einstein lançou este alerta há quase cinco décadas. Os investigadores não conseguem precisar o prazo, mas garantem que as abelhas estão a desaparecer a um ritmo alarmante. Basta recordar que as abelhas são responsáveis por 70% da polinização das 100 espécies de culturas que alimentam 90% da população mundial.
domingo, 21 de setembro de 2014
A Índia também somos nós
Mais de 200 mil pessoas continuam
isoladas na província de Kashmir, Índia, apesar do recuo das cheias que têm
devastado a região dos Himalaias. O governo federal estima que pelo menos 200
pessoas morreram e cerca de 130 mil tiveram que ser salvas por equipas de
socorro. Calcula-se que outras 200 mil pessoas permaneçam ainda isoladas e à
espera de auxílio. Há receio de que doenças possam eclodir na região, havendo
carcaças de animais espalhadas pelas ruas. Um dos responsáveis locais alertou
ainda que as casas danificadas pelas piores cheias deste século terão que ser
reconstruídas rapidamente antes que o "frio intenso" do inverno
chegue à região.
De momento, foram instalados 137
campos de acolhimento no vale de Kashmir, que prestam auxílio a 100 mil
pessoas.
E por cá, nos noticiários
televisivos, esta é mais uma tragédia humanitária invisível. É ignorando o
próximo que damos a volta à crise?
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Estado da Nação (8) - é urgente repensar a democracia (2)
Foi a sucessão de governos PSD/CDS e PS que permitiu a completa desregulamentação do mercado financeiro, a multiplicação das imparidades e que distribuiu pelos grupos económicos e financeiros elevadas rendas suportadas pelos contribuintes. O modelo de negócio que estes políticos - em comissão de serviço no Governo enquanto esperam lugar à mesa dos negócios - preferem são contratos e negociatas em que o Estado paga uma taxa de lucro elevada aos privados e o contribuinte é que corre todos os riscos. Esta situação cria um autêntico regime de casta e compadrio que urge ser radicalmente alterado sob pena de mantermos um sistema político que é uma espécie de guichet dos interesses corruptos do capital financeiro.
O futuro depende de nós. Sem uma rutura popular e democrática continuaremos a seguir o caminho que nos levará a um país cada vez mais dependente em que à população são dadas como únicas saídas servir os turistas, emigrar ou... morrer.
domingo, 14 de setembro de 2014
Estado da Nação (7) - é urgente repensar a democracia (1)
Vivemos há 40 anos em democracia, mas quem mandou neste período, salvo durante uma breve interrupção revolucionária, foi a mesma elite económica de antes do 25 de abril. Há obviamente algumas, muito poucas, modificações no grupo dos homens mais ricos do país, mas Portugal continua a ser um dos países mais desiguais da Europa, em que o poder está na mão de uma minoria.
Mas que democracia e liberdade é esta? O que tivemos até hoje é um jogo, em que tudo parece mudar para que tudo continue na mesma. A alternância entre PSD/CDS e PS é a base que garante a manutenção do poder dos do costume. É claro que eleitoralmente e historicamente essas forças políticas não são iguais. Mas a sua sucessão é a perpetuação de uma ilusão de democracia, enquanto se construiu continuamente um regime em que as pessoas têm cada vez menos poder em relação à sua vida. Mais de 90% da população afadiga-se a trabalhar e a sobreviver, enquanto os mais ricos e os seus políticos de campanha decidem e engordam.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Banda sonora para o fim do verão: Rustie - "Green Language"
Para quem já sente saudades do outono, eis a música ideal: o álbum Green Language, de Rustie. Para que não restem dúvidas, as 13 delicadas ambiências sonoras que constituem o disco são geniais e, indubitavelmente, pensadas, testadas e, melhor ainda será afirmarmos, experimentadas como um todo. Trata-se de um produto claro de um laboratório sonoro com um pé no calor de fim de tarde numa qualquer esplanada à beira-mar e outro a pisar chão de folhas caídas. Ouça-se "Raptor" ou "Dream On" e a metáfora anterior será claramente percebida.
Rustie: "Dream On" (https://www.youtube.com/watch?v=Dmde8yOnCog)
sábado, 6 de setembro de 2014
O regresso da Feira do Livro do Porto
A Feira do Livro do Porto começou ontem nos Jardins do Palácio de Cristal com mais de 100 stands distribuídos entre editoras, alfarrabistas e livrarias. Pela primeira vez em mais de 80 anos, a organização da Feira do Livro
deste ano é da inteira responsabilidade da câmara municipal, pondo um
ponto final num dossiê que parecia não ter solução e pôs em risco a
organização do certame, acabando por adiar a sua realização para setembro.
Além de um programa que inclui debates, exposições, concertos e ciclos
de cinema (com Pier Paolo Pasolini em destaque), as obras a preço de saldo estarão concentradas na Avenida das
Tílias, o eixo mais marcante do parque ladeado pela Biblioteca
Municipal Almeida Garrett, onde estão marcados alguns dos eventos. A não perder. Até ao dia 21 de setembro.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Invenções sociais (1)
Bidões reciclados em computadores, pedais para lavar a roupa, garrafas de plástico que iluminam bairros de lata ou incubadoras de tecido para proteger recém-nascidos. Estas são algumas das invenções sociais que revolucionaram o quotidiano de milhões de pessoas que vivem sem água potável ou cuidados de saúde e com menos de 2 dólares por dia.
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Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão
Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...




















