
Podia ser uma das melhores comédias de acção do ano que findou (e durante a primeira hora de filme chega a sê-lo), mas a vontade do realizador em criar não um filme de crime e mistério, com Sherlock Holmes e o inseparável Dr. Watson ao leme da aventura, mas antes um filme de Guy Ritchie afundam a película (sobretudo, durante a segunda hora), indifirenciando-a de tantas outras.
Reconheço que não sou grande admirador dos filmes de Guy Ritchie, e o anterior "Rockandrolla" só veio aumentar a minha desconfiança. Vejo-o como uma espécie de Danny Boyle menor ou um Tarantino-dos-pobres. O realizador procura dar a Sherlock Holmes uma visão pessoal (incluindo a relação com o seu colega, Dr. Watson, a qual constitui o elemento mais interessante do filme, com a introdução de uma certa tensão sexual entre os dois que roça o burlesco), insistindo no look cartoonesco e num ritmo visceral, contrariando até a imagem clássica que temos do famoso detective inglês. No entanto, Ritchie não é Sergio Leone (que operou uma transformação semelhante nos caracters tradicionais dos westerns), ficando-se pela colagem a alguns estereótipos do cinema de Danny Boyle ou Quentin Tarantino.
Ainda assim, e como foi referido no primeiro parágrafo deste post, a primeira metade do filme e as interpretações (excelentes, diga-se de passagem) de Robert Downey Jr. e Jude Law salvam o filme da menoridade, justificando o seu visionamento. É uma comédia de acção típica: vê-se e rapidamente se olvida.
Trailer de "Sherlock Holmes", de Guy Ritchie
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