domingo, 27 de outubro de 2013

Estado da Nação - A pobreza, de acordo com o PP

Nos vários círculos da exclusão, os pobres de Paulo Portas ocupam os lugares mais profundos, secretamente irrevogáveis. Pertencem a um mundo que não muda, que Salazar interpretou superiormente e tentou confundir com a alma lusa. Este miserável perfeito só existe no subconsciente de Paulo Portas e nesse lugar é, curiosamente, o único elemento parado, voluntariamente desprovido, feliz com a sua miséria. Está num estádio inferior ao da resignação. A resignação pressupõe um incómodo, o desconforto de se imaginar uma outra realidade e, mesmo como possibilidade remota, a sua inclusão nela. A resignação tem em si, paradoxalmente e de forma ardilosa, a proto-ambição de mudança, porque é potencialmente provisória, precária, instável. Essa ousadia está completamente ausente da pobreza de Portas.

Os pobres de Portas são as vítimas da fome perpetuamente agradecidas à amabilidade enlatada da Dra. Isabel Jonet. Os pobres de Portas são o povoléu agrilhoado e agradecido, a arraia-miúda confundida com "a convergência do sistema de pensões", a gentalha aturdida com "o regime geral", o escorralho adormecido com "a condição de recurso", a ralé que "não aparece na televisão".

Mas nos círculos mais exteriores - e esta verdade fere a testa dos opressores como uma espada de fogo - há seres cada vez mais livres, alguns e algumas dos quais são tão livres como Paulo Portas.

1 comentário:

  1. Paulo Portas, um dos "netos" de Salazar, grande defensor dos pobres, reformados, agricultores, pequenos empresários enquanto foi deputado, vive agora momentos de profunda observação sobre a sociedade portuguesa, isto porque ver a sociedade no alto do poleiro é bem melhor do que a ver sentado, podendo utilizar a demagogia para angariar uns quantos votos.

    Se repararmos no próprio partido do Largo do Caldas, a quem em tempos o atual líder chamava de Partido do Táxi, tem vindo a ter um crescimento chamando a si os apaniguados da riqueza à custa dos outros. Portas é um dos símbolos maiores dessa pobreza, pois agora no alto do seu trono não vê o Portugal envelhecido e pobre que dia após dia, aumenta a sua miséria. Janeiro será um novo início de ciclo para roubarem mais dinheiro a quem trabalha com lealdade e quer fazer vida.

    Gostaria de perguntar a Paulo Portas, se os submarinos que comprou permitem salvar uma das riquezas do país, a floresta que todos os anos arde e mata, e se permitem matar a fome de tantos portugueses neste momento. Certamente está a pensar ser atacado por Angola, que lá ia injetando algum dinheiro ( sujinho, sujinho) mas que ainda assim, permitia aos portugueses manter alguns dos seus empregos. Hoje os submarinhos, dão alimento aos militares para jogarem batalha naval e aqueles que nos levaram o dinheiro ( os alemães), que ganham bem com a nossa crise.

    Espero que a sociedade civil se levante e comece a mostrar cada vez mais que este caminho nunca foi, nem é o correto para tirar o país da miséria. No dia em que me explicarem como é possível um país enriquecer, tirando dinheiro às pessoas, talvez possa votar na direita.

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