quinta-feira, 6 de julho de 2017

"Terra Violenta" - Western despretensioso de Ti West

Filme inédito nas salas de cinema portuguesas, Terra Violenta resulta num bom entretenimento, que traz à memória os velhos clássicos do western série B (e aqui ou ali com pinceladas de western spaghetti).

Paul (interpretado pelo sempre empenhado Ethan Hawke) é um viajante solitário de passagem por Denton, uma terriola esquecida no Texas e apelidada pelos locais como terra violenta. Ali, acaba por entrar em confronto com Gilly, o filho mimado do xerife (defendido por um quase comovente John Travolta). À medida que a tensão aumenta, um ato de extrema violência conduz à inevitável vingança do protagonista, num desfecho a fazer lembrar O Comboio Apitou Três Vezes, de Fred Zinnemann.

A realização de Ti West é competente, nunca se sobrepondo à história que serve. É certo que Terra Violenta não vai fazer história, mas também não é esse o seu propósito. 

Uma nota final para outro protagonista: o cão de Paul, que introduz na narrativa um delicado toque de comédia, baralhando géneros e conseguindo ainda o feito de, ao mitigar a violência, conferir à película o tom (aparente) de filme de família.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

"A Ultrapassagem" - road movie à italiana

Em 1962, Dino Risi assinou aquele que se tornaria um dos símbolos maiores da época de ouro do cinema italiano. Em boa verdade, A Ultrapassagem foi o filme que impôs Risi como um dos realizadores europeus mais bem sucedidos comercialmente.

Trata-se de um road movie sobre um quarentão que, com a sua personalidade exuberante, despreocupada e eufórica, arrasta consigo (e fascina) um tímido estudante de Direito. Todavia, o jovem demora a aperceber-se que o seu compagnon de route é apenas egocêntrico, superficial (hilariante o gag sobre o cinema de Antonioni) e desenraizado.

As interpretações de Jean-Louis Trintignant (perfeito na pele do jovem em contra-relógio para um destino (in)evitavelmente trágico) e, sobretudo, de Vittorio Gassman (em pose hiperativa, uma interpretação que só tem paralelo no Jack Nicholson de Voando Sobre um Ninho de Cucos) são paradigmáticas. Mas o elemento-chave deste clássico é, precisamente, a realização segura e ousada de Dino Risi, que imprime um ritmo frenético e vertiginoso a esta obra-prima made in Itália.


terça-feira, 4 de julho de 2017

"O Velho e o Gato" - uma história de amor felino vivida por Nils Udderberg

Da Primavera sueca chega-nos um livro escrito com uma simplicidade desarmante por um psiquiatra e intelectual prestigiado.

Em O Velho e o Gato, Nils Uddergerg, antigo professor universitário na área da Psiquiatria, conta como, numa fria manhã de Inverno, se tornou dono de uma gata, embora nunca tenha desejado qualquer espécie de animal doméstico. Ao longo da obra, o autor vai narrando a forma como o pequeno felino se introduziu, suave mas firmemente, na sua vida. Nessa leve e permanente intromissão, o autor encontra a oportunidade para especular acerca da vida interior do gato, bem como refletir sobre a natureza da relação entre um animal e um ser humano.

Longe de ser uma obra literária incontornável (nem sequer aspira alcançar tal estatuto), O Velho e o Gato vale, sobretudo, enquanto ato de humildade intelectual ao não pretender ser mais do que aquilo que é: o registo afetivo de uma vinculação inesperada na terceira idade do seu autor.

domingo, 2 de julho de 2017

Para refletir

As pessoas perguntam qual é a diferença entre um líder e um chefe. O líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia.
Franklin Roosevelt, 32º Presidente dos EUA
 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

"Os Níveis da Vida" - o Amor e a Morte, por Julian Barnes

Em Os Níveis da Vida Julian Barnes toma como metáfora e ponto de partida a história do balonismo para elaborar uma sofrida meditação sobre o sentido do amor após a morte da pessoa amada - neste caso, a sua mulher, Pat Kavanagh, falecida em 2008.

De forma amarga, Barnes assume a impossibilidade da superação do luto e da dor, assumindo corajosamente que, nos anos subsequentes à morte do objeto de afeição, continuou a conversar com a sua mulher, ainda que perante a incompreensão de amigos e conhecidos que, provavelmente, nunca sofreram a dor da perda do verdadeiro amor. Julian Barnes assume ter fantasiado inúmeras vezes com o suicídio, tendo-o até planeado com minúcia, no entanto decide permanecer vivo sob o argumento de que "era a sua memória principal", pelo que não podia pôr termo à vida, "porque assim estaria a matá-la também".

Brilhante exercício literário inserido no contexto da não-ficção, Os Níveis da Vida coloca-nos frente a frente com a morte, ao mesmo tempo que nos dá uma lição moral sobre o Amor.

domingo, 18 de junho de 2017

"A Filha de Ryan" - melodrama épico de David Lean

Cineasta meticuloso, David Lean assinou em 1970 aquele que é para muitos um filme menor no seu admirável currículo. Todavia, já é altura de reavaliar A Filha de Ryan, melodrama com laivos de épico filmado com regra e esquadro e, sobretudo, com uma entrega apaixonada a cada plano geometricamente desenhado. 

Adaptação livre de Madame Bovary, de Gustave Flaubert, A Filha de Ryan é uma reflexão sobre a natureza contraditória dos impulsos populares, que tem a Guerra Civil irlandesa como pano de fundo e uma recôndita aldeia do litoral irlandês como cenário. Rosie (Sarah Miles numa lição de expressividade que só tem paralelo no melhor cinema mudo), a filha de Ryan (proprietário do pub local), anseia perdidamente por amor, acabando por casar com Charles Shaughnessy, o professor da escola local (Robert Mitchum a demonstrar por que era, já na altura, um dos símbolos máximos do cinema clássico), viúvo com o dobro da sua idade e com um carácter tão honesto quanto emocionalmente refreado. A chegada de um oficial inglês vai despertar a paixão de Rosie Ryan e a respetiva condenação dos aldeões, não só pelo adultério mas - e sobretudo - pelo facto de o amante ser inglês. 

A banda sonora de Maurice Jarre acentua o tom simultaneamente épico (a heroicidade do povo na luta contra o opressor inglês) e trágico do filme (o julgamento popular de Rosie); a fotografia de Freddie Young é poesia em imagens; a interpretação de John Mills (o idiota da aldeia) é inolvidável - ele que, sem proferir uma única palavra, conseguiu a justa proeza de conquistar o Óscar de Melhor Ator Secundário; a sequência da tempestade no mar com o povo a resgatar o armamento roubado aos alemães pelos independentistas irlandeses é arrepiante. Filme menor? Ensombra qualquer melodrama filmado na última década.

domingo, 28 de maio de 2017

Banda sonora para a Primavera (22) - SPC ECO: "Under My Skin"


SPC ECO, o mais recente projeto do músico de culto Dean Garcia, editou esta Primavera uma obra-prima atmosférica através do EP Under My Skin. São cinco etéreas canções sob a forma de ambientalismo urbano. Escutemos a faixa-título e deixemo-nos levitar, durante a noite, sobre paisagens industriais. 


domingo, 7 de maio de 2017

"Fragmentado" - novo brinquedo de M. Night Shyamalan


Depois do divertidíssimo statement sobre a estética found footage, M. Night Shyamalan regressa com mais um exercício de estilo sob a égide do thriller. Fragmentado é, em boa verdade, um brinquedo hitchockiano sobre um doente que sofre de transtorno dissociativo de identidade. Estão lá todos os ingredientes que fizeram do realizador de O Sexto Sentido um cineasta de culto: argumento minucioso, diálogos certeiros, personagens que vão revelando um pouco mais de si em cada cena, o jogo de luz e sombras, um discreto sentido de humor e grandes interpretações (neste caso, o destaque vai claramente para James McAvoy, que parece divertir-se num papel que é um tremendo desafio para um ator).

sábado, 14 de janeiro de 2017

"Coração de Cão" - reflexão sobre a morte para os vivos

Em Coração de Cão, Laurie Anderson constrói um complexo filme-ensaio sobre o significado da morte e a sua ligação ao amor.

A partir da morte do seu cão, Lolabelle, a mítica artista nova-iorquina monta um puzzle de imagens acompanhadas por uma banda-sonora algo soturna (da sua autoria) e por narração em off (a cargo da própria realizadora), transcendendo as barreiras da ficção e do documentário. No fundo, estamos perante poesia em imagens ou, como diria Nietzsche, "o filósofo [a falar] pela boca do poeta".

É particularmente arrepiante a breve aparição de Lou Reed enquanto ouvimos Anderson sussurrar: "Reconhece isto!". De resto, o filme é dedicado à memória do músico falecido em 2013 (Coração de Cão termina com uma balada de Reed, com o sugestivo título Turning Time Around).

Que não restem dúvidas: a película de que aqui se fala é uma obra de arte completa, reunindo várias linguagens estéticas (pintura, desenho, fotografia, música, poesia, filosofia, imagens de arquivo, documentário, filmes de 8mm, ficção, história) e, sobretudo, assumindo, de forma corajosa, a morte como o maior (e talvez o único) problema existencial - feito cada vez mais raro no cinema contemporâneo, que se entretém, não poucas vezes, a celebrar a vida enquanto oposto da morte (ou como tentativa de a anular).

Laurie Anderson olha a morte nos olhos, relaciona Wittgenstein, Kierkegaard e O Livro Tibetano dos Mortos para concluir que a morte é a libertação do amor. Se quer saber porquê, veja o filme. É apenas o melhor que as salas de cinema nacionais exibiram em 2016.

domingo, 8 de janeiro de 2017

"Gelo" - filme ambicioso de Gonçalo e Luís Galvão Teles

Rara abordagem do cinema português à ficção científica (de repente, só me vem à memória o cinema de António de Macedo), Gelo é uma película tecnicamente perfeita, com um argumento ousado mas sem alma - o elan vital que transforma um exercício de estilo numa obra que, exaltando sentidos e razão, justifica suspendermos a vida quotidiana durante cerca de duas horas para nos envolvermos em outra(s) vida(s).

Sim, o argumento contém múltiplas camadas (uma história dentro de outra história que está dentro de outra história; o que é, no filme, real e o que é sonho?; será a própria vida um sonho?; coexistiremos em vidas alternativas e simultâneas?; haverá vida depois da morte?); sim, Ivana Baquero flirta naturalmente com a câmara numa fotogenia digna de ícones do cinema clássico; sim, a direção de fotografia é rigorosa (sem ser deslumbrante); mas, por melhores que sejam as intenções da família Galvão Teles, o filme não penetra na pele e nunca nos faz acreditar naquela vida futura, que permanece somente uma caricatura da ideia que lhe subjaz.

[Uma nota à parte: o anotador de Gelo é o meu velho amigo Paulo Milhomens, que recentemente concluiu o filme Axilas, de José Fonseca e Costa.]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Banda sonora para o inverno (30) - Eric Clapton: "I Still Do"

Revisitação de um dos melhores álbuns editados em 2016: I Still Do é o disco em que Eric Clapton coloca-se frente a frente com a inevitabilidade do envelhecimento, não para lamentar a vida que teve ou más escolhas que (eventualmente) fez, mas sim para celebrar a música que verdadeiramente o inspirou e iluminou o seu caminho desde a década de 60 do século XX. É como se todos os álbuns anteriores tivessem sido o percurso (inevitável) para chegar até aqui, a I Still Do.

Blues, rock e até uma ou outra subtil evocação da pop que marcou algumas canções (sobretudo, da década de 80), este é um disco para ouvir repetidamente. Para sempre.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

"Vontade Indómita" - obra maior de King Vidor

Reflexão em torno das mudanças de paradigma enquanto produto da inciativa individual (e não da vontade de uma comunidade), Vontade Indómita (1949) é, talvez, a mais ousada das obras-primas de King Vidor, cineasta (também ele) individualista e obstinado na sua apologia de um cinema rigoroso e sem cedências.

Em boa verdade, esta memorável adaptação do romance The Fountainhead, de Ayn Rand, é o filme em que King Vidor expõe sem pudor a sua forma de ver o mundo e o seu espírito individualista. Gary Cooper encarna um arquiteto que prefere destruir com dinamite um edifício que projetara, a permitir a sua adulteração por empresários mais sedentos de lucro fácil do que ansiosos por criatividade. Qual metáfora de uma indústria cinematográfica exclusivamente preocupada com receitas de bilheteira e não com a educação do público a partir de novas abordagens estéticas. De resto, o julgamento final é uma declarada profissão de fé do individualismo contra as utopias coletivistas.

Quase ao nível de Citizen Kane (1941), Vontade Indómita, em boa verdade, é só comparável à obra maior de Orson Welles.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Banda sonora para o inverno (29) - Tohpati Ethnomission: "Mata Hati"


E da Indonésia chega o primeiro grande disco de 2017. Chama-se Mata Hati e é assinado pelos Tohpati Ethnomission, banda de jazz-rock com fortes influências de world music. Por estas ondas sonoras navegam também notas de Jethro Tull em composições de difícil catalogação, como de resto toda a grande música.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Estado da Nação (16) - um país com 50% de pobres

No início de mais um ano, convém não esquecer que a pobreza é o maior problema de Portugal.
De acordo com o mais recente estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a pobreza em Portugal, um em cada cinco portugueses viveu com rendimentos líquidos inferiores a 439 euros em 2015. Segundo o INE, naqueles rendimentos estão incluídas as chamadas transferências sociais, isto é, subsídios e outras ajudas do Estado e de instituições particulares. Caso estas transferências fossem retiradas do cálculo nacional para se considerarem apenas os rendimentos pessoais reais (por exemplo, obtidos por trabalho), chegar-se-ia à conclusão de que metade da população de Portugal (mais exatamente, 46,3%, segundo aquele Instituto) estaria em risco de pobreza em 2015. E, segundo parece, a situação do país não melhorou sob os auspícios da geringonça.

Segundo o INE, metade dos portugueses não tem capacidade para passar uma semana de férias por ano fora de casa; um em cada quatro portugueses não pode pagar uma despesa inesperada sem recorrer a um empréstimo; e um em cada dez tem o pagamento da renda da casa em atraso.

Nesta quadra natalícia, convém não esquecer que um em cada cinco portugueses não consegue aquecer devidamente a sua casa. Muitos destes portugueses são idosos, entre os quais o risco de pobreza tem vindo a aumentar significativamente nos últimos anos.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Banda sonora para o inverno (28) - The Heather Findlay Band: "I Am Snow"

Editado neste mês frio de dezembro, I Am Snow é um disco de inverno, sendo esta, simultaneamente, a sua maior virtude e a sua intrínseca limitação. São 46 minutos distribuídos por 9 canções pastorais e melancólicas precisamente dedicadas ao inverno. Com I Still Do de Eric Clapton e Blackstar de David Bowie, é um dos melhores álbuns editados no ano da graça de 2016.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

"Natal Branco" - um clássico de Michael Curtiz

Natal Branco foi o 1º filme realizado para o formato VistaVision
Em 1954, Michael Curtiz já havia assinado há muito Casablanca. Também nesse ano, Bing Crosby e Danny Kaye eram já, há muito, estrelas maiores da música e do cinema. Natal Branco recuperava uma canção popularizada por Crosby muitos anos antes, consumando-se como uma obra icónica da época de ouro de Hollywood.

Repleto de coreografias inesquecíveis, de cenários como só a Hollywood do studio system conseguia pensar e executar, com uma fotografia de um rigor incomparável, incluíndo interpretações de atores completos (eram expressivos, cantavam, dançavam, moviam-se com graciosidade) e uma realização segura, que privilegiava enquadramentos e movimentos de câmara verdadeiramente antológicos, Natal Branco é uma fita exemplar de uma época - precisamente, a golden age - que jamais retornará a Hollywood.

O plano de abertura é uma autêntica declaração de intenções: em 1944, uma divisão do exército norte-americano, estacionada numa aldeia em Itália, aproveita um momento de tréguas natalícias para relembrar o Natal vivido em tempos de paz. Os cenários de guerra, com casas destruídas e um céu escurecido pelas bombas (em tempo de guerra não se vê luz), serve de homenagem perfeita aos homens que lutaram durante aquele terrífico conflito armado. E nós, espetadores passivos, na sala de cinema ou no conforto do lar, aproveitamos a cena inicial para viajar até àquele ténue momento de luz por entre as trevas e nos deixarmos deleitar com semelhante paleta estética. E - porque não? - com a voz perfeita de Bing Crosby.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Estado da Nação (15) - máfia do sangue

Luís Cunha Ribeiro, ex-Presidente do INEM, suspeito de corrupção
A corrupção no Portugal democrático atingiu níveis perturbadores, tendo chegado até ao sistema de saúde, facto que denota uma falta de controlo escandalosa (diria até, vergonhosa) e um desleixo absoluto na escolha do perfil moral, ético e comportamental dos respetivos dirigentes, por parte dos sucessivos Governos de Portugal.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

"Em Teu Ventre" - maternidade(s) num livro menor de um escritor maior

A reinvenção das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos nos idos da década de 10 do século XX, na Cova da Iria, serve de pretexto para uma, por vezes esotérica, reflexão de José Luís Peixoto em torno da maternidade. Todavia, fica a sensação de que tal meditação serve mais para compensar as parcas ideias do autor (talvez na tentativa de ser mais fiel aos factos, não os deturpando) do que um claro propósito de servir a história. Que não pense o leitor que não tem em mãos um livro bem escrito. Claro que há harmonia nas palavras, simplesmente parece tudo mais forçado e menos solto que as obras anteriores.

Percebo que este devia ser um projeto antigo do autor, porventura uma resposta a Morreste-me (obra dedicada ao pai), mas enquanto que esta obra era indubitavelmente um exercício de luto e catarse, Em Teu Ventre transparece procura racional da(s) palavra(s) certa(s), pelo que é um livro menos apaixonado e espontâneo.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal

Foto de Rui Louro Mendes.

Na altura em que se comemora o Nascimento de Jesus Cristo, desejo a todos os meus familiares, amigos, leitores e a todos os homens e mulheres de Boa Vontade, um Santo Natal.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Natal (?)

A Festa da Família, símbolo maior da Paz e da Harmonia, momento de encontro do Homem com a Beleza Divina da Natividade, transformou-se numa orgia materialista. A Ternura e o Carinho do Reencontro deram lugar ao ruído do efémero. A mensagem transcendente do Amor foi substituída pela vaidade, pela marca, pelo preço, pela ostentação. Multidões cegas de consumidores compulsivos deambulam, como que hipnotizadas, pelos palácios do desperdício e perdem a alma num labirinto cheio de nada.

Urge restaurar a Natividade no coração do homem ocidental e trazer de novo, à sua Casa de Família, o Espírito que liberta e o Sopro do que está para Além. O Espírito de Verdadeiro Natal.

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...