Quem assistir a Presos no Tempo desconhecendo obras-primas como O Sexto Sentido (1999), O Protegido (2000), Sinais (2002) ou A Vila (2004), provavelmente pensará que foi escrito e realizado por um qualquer neófito deslumbrado pela primeira oportunidade em Hollywood. É que este pretensioso "tratado" sobre o envelhecimento e a finitude tem o potencial para destruir carreiras, pelo menos as do realizador e dos atores. Um filme que só não chega a ser dececionante por ser desastroso.
Ideias, opiniões, gostos, prazeres, fruições, sensibilidades e rotinas serão aqui registadas.
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
"Presos no Tempo" (2021) - de M. Night Shyamalan
domingo, 1 de agosto de 2021
"Annette" (2021) - de Leos Carax
Leos Carax aproveita a estética do musical para construir uma parábola sobre os tempos que correm, lançando um duro golpe ao público consumidor acéfalo da informação veiculada nas redes sociais e aos órgãos de comunicação que, para sobreviverem, se renderam às imagens vazias do YouTube, Facebook ou Instagram.
Uma lição de mise-en-scène majestática. Um filme obrigatório! (O melhor que veremos em 2021?)
quinta-feira, 29 de julho de 2021
Paul Schrader (2) - "No coração da escuridão" (2018)
Ethan Hawke interpreta magistralmente o papel de uma padre em crise de fé, que, perturbado com o suicídio do marido de uma paroquiana (ativista em prol de causas ambientais), sente o dever de completar a sua missão, insurgindo-se contra uma humanidade que não merece o perdão de Deus.
No coração da escuridão é um filme perfeito, sem um único plano ou diálogo a mais. Uma obra de um rigor absoluto. Não é fácil gostar do cinema de Schrader, mas é por obras como esta que o cinema é arte maior. Afinal, ainda vale a pena comprar um bilhete de cinema e refugiarmo-nos no coração da escuridão.
quarta-feira, 28 de julho de 2021
Blake Edwards (2) - "A Semente de Tamarindo"(1974)
A partir de um romance de Evelyn Anthony, e filmado nas Caraíbas, em Paris, Londres e Canadá, Blake Edwards constrói um argumento com todos os sinais da década de 70 do século XX. Em boa verdade, estávamos em plena Guerra Fria e o filme reflete o clima de tensão leste-oeste. No entanto, interessa a Edwards não tanto a intriga política mas mais a história de amor entre uma funcionária pública britânica (interpretada por uma etérea Julie Andrews) e um espião russo (um sedutor Omar Sharif).
O genérico de abertura é digno de antologia. Com música assinada por John Barry, A Semente de Tamarindo evoca claramente os créditos iniciais dos filmes de James Bond. É, contudo, um filme menor na extensa filmografia de Edwards.
segunda-feira, 12 de julho de 2021
Blake Edwards (1) - "Uma voz na escuridão" (1962)
A primeira cena introduz logo o conflito numa sequência longa (filmada quase num só grande plano) e aterradora. Uma mulher acaba de estacionar o carro na garagem de casa quando é atacada por um assassino, que a agarra pelas costas e lhe exige que roube cem mil dólares do banco onde trabalha sob pena de assassinar a sua irmã adolescente. A voz do agressor é cavernosa, denunciando que sofre de asma. Nós, os espectadores, saímos da cena com a sensação de que o chão vai desabar por baixo dos nossos pés.
Os planos de Uma voz na escuridão são desenhados com o rigor de um arquiteto; a banda sonora de Henry Mancini (habitual colaborador de Edwards) é arrepiante; Glenn Ford (no papel do agente do FBI responsável pela investigação do caso) e Lee Remick (na pele da mulher ameaçada) são soberbos na arte da contenção, nunca se sobrepondo à narrativa; e a sequência final no estádio de baseball é uma lição de realização ao nível de mestres como Hitchcock ou Brian de Palma.
segunda-feira, 5 de julho de 2021
"Fim de semana com o morto" (1989) - de Ted Kotcheff
Fim de semana com o morto é uma comédia louca como todas as comédias destravadas deviam ser: diverte o espectador durante 100 minutos, respeita as personagens, colocando-as ao serviço da história (marada do princípio ao fim) e tem uma realização competente (discreta, mas com mão segura).
Volvidos 32 anos, podemos hoje perceber que a película de Ted Kotcheff é um clássico da comédia made in Hollywood, à altura de obras como Um, dois, três, de Billy Wilder (1961), A festa, de Blake Edwards (1968) e 1941 - Ano louco em Hollywood, de Steven Spielberg (1979).
terça-feira, 15 de junho de 2021
Pablo Larraín (3) - "Não" (2012)
Larraín filma com a estética dos anos 80 (cores garridas, imagem gasta, câmara à mão), como se o filme resultasse da montagem de imagens de arquivo. E, sobretudo, sobra o filme mais feliz de Pablo Larraín até à data.
segunda-feira, 14 de junho de 2021
"Julieta" (2016) - de Pedro Almodóvar
O penúltimo filme de Almodóvar (até à data de hoje) apura os temas de sempre e a estética pessoal (diria, clássica) do maior cineasta de Espanha. "Julieta" é uma película fascinante, que se vê do princípio ao fim como o mais viciante e intrigante dos romances. E há por aqui vestígios evidentes de Hitchcock e Cukor. Obrigatório!
domingo, 13 de junho de 2021
Estado da Nação (35) - Um País desgovernado por quem se governa a si próprio: o poder dos discípulos de Sócrates (7)
O (des)governo de António Costa (AC) emprega o número-recorde de 1.259 boys. Entre assessores, adjuntos, técnicos especialistas, motoristas, secretários e pessoal administrativo, o atual Executivo gasta anualmente mais de 73 milhões de euros com os gabinetes de 70 (des)governantes. Só AC tem 10 assessores, 10 adjuntos e técnicos especialistas, 11 motoristas e 8 secretários pessoais. São 40 colaboradores que representam um encargo mensal de 140 mil euros.
Haja tributação fiscal que suporte todos estes encargos do Estado socialista.
sábado, 12 de junho de 2021
Estado da Nação (34) - Um País desgovernado por quem se governa a si próprio: o poder dos discípulos de Sócrates (6)
Para Presidente da Comissão Executiva das comemorações do 50º aniversário da dita revolução, o (des)Governo de António Costa nomeou o comentador socialista Pedro Adão e Silva (PAS), que é um boy, um arauto da ciência política nascido, precisamente, no ano da Revolução (um miúdo, portanto).
PAS é a prova viva do pragmatismo socialista a que estamos habituados: quem semeia colhe. Este filho querido de Abril jogou sempre pelo seguro, passando PSD para o PS e envergando o trabalho sujo de defensor do Governo PS. Para além de um elevadíssimo salário (4,500 euros) ao longo de cinco anos e meio, PAS disporá ainda de ajudas de custo e de uma equipa de colaboradores, igualmente pagos.
PAS foi, recorde-se, um fervoroso defensor da honestidade de José Sócrates. O apoio ao modesto e íntegro senhor engenheiro ainda dá os seus frutos. Mas são só jobs for the boys num país que há muito se conformou - e aceita - o nepotismo.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
"Os Sete Samurais" - obra de arte filmada por Akira Kurosawa
Este é um filme perfeito. Prova disso é ter resistido imaculadamente à passagem de quase 70 anos desde a sua estreia. Um preto e branco coruscante, atores em estado de graça (com destaque para o faceto e divertido Toshiro Mifune), banda sonora engenhosa e depurada, e 210 minutos que passam num ápice.
domingo, 3 de janeiro de 2021
"Wolfwalkers" - cinema de animação exemplar
Baseado em lendas célticas, a ação situa-se em meados do século XVII na Irlanda rural dominada por Lord Protector, tirano inglês que oprime e subjuga o povo de uma pequena cidade que vive apavorada com a ameaça de uma alcateia que tem atacado as ovelhas. Certo dia, Robyn, uma menina inglesa que sonha seguir as pisadas do pai como caçador de lobos, aventura-se na floresta e trava amizade com uma criança de longos cabelos ruivos, que é, na verdade, uma wolfwalker.
E mais não digo para não tirar ao leitor o prazer de assistir a este filme de animação de recorte clássico, desenhado à mão como os mais emblemáticos desenhos animados de outros tempos.
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
Banda sonora para o outono (40) - Sweet Billy Pilgram: "Wapentak"
Wapentak é um disco de canções gravadas quase sempre num registo acústico para realçar a melodia e a voz. E que canções, senhoras e senhores! Ouça-se Ash on the blacktop, Asking for a friend ou A shelter of reeds e entenda-se por que esta transformação intencional no som não representa uma descaracterização do projeto estético da banda, mas sim a exploração de uma música mais orgânica, romântica e melancólica. E, por que não, outonal.
quinta-feira, 2 de julho de 2020
Pablo Larraín (2) - "O Clube" (2010)
domingo, 28 de junho de 2020
Pablo Larraín (1) - "Tony Manero" (2008)
sábado, 27 de junho de 2020
"Da 5 bloods" - apologia da inter-racialidade
sexta-feira, 26 de junho de 2020
"Feliz dia para morrer" - híbrido inútil de Christopher Landon
quarta-feira, 24 de junho de 2020
"The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story"
terça-feira, 12 de maio de 2020
Banda sonora para tempos de pandemia (2) - Moon Halo: "Chroma"
Para os puristas do pop-rock certeiro, com pinceladas de rock progressivo, que há muito esperavam por um disco essencial sem canções a mais, aí está (em boa verdade, desde o início do ano) uma pérola que marcará, de modo indelével, as edições discográficas de 2020.
sábado, 9 de maio de 2020
"Um Pequeno Favor" - Darcey Bell, mais uma autora empenhada em imitar Gillian Flynn e Patricia Highsmith
Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão
Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...


















