domingo, 8 de novembro de 2009

Um ensaio e um concerto (2)


Após 12 anos de carreira consolidada na edição de cinco álbuns (seis, se acrescentarmos o disco acústico gravado com Mafalda Veiga), João Pedro Pais fez o seu primeiro coliseu em nome próprio. Foi no dia 6 de Novembro no Coliseu do Porto. Fui ver o concerto com o meu filho que se fartou de cantar (coisa rara nele, dada a sua timidez) e encantar com a simplicidade e humildade de um cantautor que, por mérito próprio, alcançou um estatuto pouco usual na música portuguesa.

Influenciado pela música ligeira e popular de compositores como José Cid, Fausto e Jorge Palma, João Pedro Pais consegue recuperar um certo espírito sincero e até ingénuo na forma de compor e comunicar com o público. Além disso, tem crescido como músico, conseguindo, de disco para disco, aliar o lado mais orgânico e depurado com o rigor formal. O seu mais recente e melhor álbum até à data, A Palma e a Mão, é pleno de canções intimistas que, curiosamente, resultam muito bem ao vivo (destaque para Cal, inspirado no livro de José Luís Peixoto).

Os momentos mais fortes do concerto foram os duetos com Jorge Palma (a quem JPP dedica Meu Caro Jorge), a presença de Zé Pedro (Palco de Feras), as baladas cantadas com a colaboração do público (Mentira e Ninguém) e o encore final (Um Volto Já). Augura-se a continuação de uma carreira cada vez mais ascendente do músico.

"Mentira" - JPP ao vivo no Coliseu do Porto (06/11/09)

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