A Assírio & Alvim vem, no ano da graça de 2017, lembrar-nos de um escritor algo esquecido por cá, Prémio Nobel da Literatura em 1913, poeta, pintor, pedagogo, músico, ser humano com tudo o que ser humano devia representar, autor dos mais belos textos sobre a infância de que há memória. Rabindranath Tagore (1861-1941) é o seu nome e a obra agora publicada reúne a versão integral do livro The Crescent Moon, que o autor dedicou ao filho após a morte de sua mãe, e textos extraídos dos livros My Reminiscenses e My Childhood Days. A natureza destes escritos resulta da apurada sensibilidade poética do autor, estimulada pela presença da beleza que envolve o nascimento de uma criança e pelo encantamento que é observar o seu crescimento, havendo também lugar para delicadas reflexões sobre o mistério e o significado da morte.
Tagore foi um exímio manipulador de palavras, cuidadoso nos objetivos, primoroso nas imagens e poético na prosa.
A propósito da morte da sua mãe, escreveu:
"Mais tarde, vagabundeando eu pelo mundo na liberdade da juventude, quando chegava a primavera prendia no meu cachecol um ramo de brancos jasmins; estes roçavam suavemente na minha testa, e sentia-os como se fossem os dedos da minha mãe que me tocavam; e concluía que a ternura que se desprendia da ponta daqueles doces dedos era a mesma que desabrochava todos os dias na pureza daqueles jasmins em botão; e, hoje, tenha ou não consciência disso, sei que a mesma ternura está espalhada por toda a terra em doses infinitas."

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