É à volta das cidades que se move o ciclo de cinema que começou ontem, dia 10 de agosto, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto. Trata-se de um ciclo constituído por quatro filmes, que integra um programa mais vasto, o Porto Art Fest: Orbital, promovido pela Cooperativa Árvore e por aquele Museu, e comissariado por Paulo Mendes.
A abrir A CIDADE: IMAGEM-TEMPO foi exibida a obra-prima de Roberto Rossellini, Alemanha, Ano Zero, filme de 1948 que mostra Berlim nos anos que se seguiram à 2ª Guerra Mundial, com a capital alemã reduzida a escombros e a ser gerida pelos Aliados. Rossellini reflete sobre o relativismo moral que se sucedeu à guerra e se instalou entre alemães de todas as classes sociais, que, naqueles tempos de pós-guerra, passaram a subjugar todos os valores às necessidades de sobrevivência. Quem conduz a narrativa (e o espectador) é uma criança sem tempo - e sem direito - para viver a sua infância, que, após perder a inocência, se confronta com a solidão, o desamparo afetivo, a ausência de sentido, a rejeição, o mal absoluto e - inevitavelmente - com o destino trágico para o qual foi conduzida.
Um filme singular de um artista maior.

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