sexta-feira, 25 de agosto de 2017

"Cartas da Guerra" - Lição de cinema, a partir de António Lobo Antunes

Começo por aqui: Cartas da Guerra é uma obra-prima. É um filme como todo o Cinema devia ser. E Ivo M. Ferreira consegue a proeza da realização de um filme perfeito sem fazer cedências que não as da sua própria demanda estética: trata-se da busca pelo plano certo, da captação da luz desejada, da interpretação honesta dos atores, do respeito pelos veteranos da Guerra do Ultramar e pelas vítimas civis, de uma vénia ao continente africano (que raramente foi tão bem filmado como aqui), de preocupação com as palavras (é uma esplendorosa ode à língua portuguesa) e com as cartas originais de António Lobo Antunes.

Não estamos apenas perante o melhor filme de 2016. Trata-se tão-só da obra maior do cinema português dos últimos 25 anos. Um objeto sublime a figurar, certamente, nos anais do cinema português e do Cinema enquanto arte. Cartas da Guerra é um óvni cinematográfico. Um filme como todos os filmes deviam ser.

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