segunda-feira, 28 de março de 2011

"Civilização" no Rivoli Teatro Municipal (Porto) - 1 e 2 de Abril, às 21h30

O GAEDE é um projecto extra-curricular que desenvolvo há 5 anos no Colégio D. Dinis. "Civilização" é já o sexto espectáculo (os anteriores foram "O Muro", "O Eterno Retorno", "A Morte Não Existe", "Ontem à noite, uma criança sonhou..." e "Luz").

"Civilização" é uma parábola política, plena de energia e fisicalidade, que reflecte acerca dos ciclos políticos ditatoriais, revolucionários e democráticos. A acção situa-se num circo em que os artistas são pessoas comuns, que lutam pela sobrevivência numa existência marcada pela rotina de um quotidiano absurdo e alienante. 

Inicialmente, "Civilização" pretendia estabelecer uma síntese da estética que marcou os cinco trabalhos anteriores do GAEDE (sobretudo, uma revisitação da peça "O Eterno Retorno", levada à cena em 2007). Progressivamente, foi conquistando autonomia e singularidade, acabando por ser um espectáculo que surge sob o signo das revoluções que estão a decorrer no Mundo, mas que também se assume como uma reflexão crítica em torno da matriz cultural judaico-cristã.

Garantimos um trabalho forte, algo provocador, que oscila situações negras e violentas (encenamos uma crucificação) com cenas retiradas dos melhores álbuns da infância (temos uma boneca e um palhaço como personagens). A banda sonora é a melhor das 6 peças que construímos até hoje.

É a segunda vez que estaremos em nome próprio na cidade do Porto - e logo no Teatro Rivoli! É uma oportunidade única na história, currículo e objectivos do grupo. Mas, para o sucesso de "Civilização", será fundamental termos a maior divulgação possível e muito público. Divulguem junto dos vossos contactos, venham assistir ao espectáculo e tragam pais, irmaõs, amigos, professores e camaradas dos 6 aos 106 anos de idade.

Os bilhetes estão à venda na bilheteira do Rivoli Teatro Municipal do Porto ou em www.bilheteiraonline.pt

Para mais informações, consulte: http://bebegaede.blogspot.com ou www.colegioddinis.pt

GAEDE - Ensaios de "Civilização"




segunda-feira, 21 de março de 2011

Banda sonora para a Primavera (8)

Em 1993, Rodrigo Leão, acompanhado pelos Vox Ensemble, alterou o panorama da música nacional ao editar "Ave Mundi Luminar", disco conceptual, minimalista, moderno, mas sem nunca perder de vista o rigor classicista dos grandes compositores. No final de 2010, o músico reeditou o álbum em versão remasterizada e com um disco com novas gravações ("In Memoriam"). O CD é lindíssimo. Para ouvir, repetidamente, durante a Primavera que agora se anuncia.

"Ave Mundi" - Rodrigo Leão

sábado, 19 de março de 2011

"A Rede Social" - tese sociológica de David Fincher

David Fincher é um cineasta cuja linha autorística se aproxima da corrente estética iniciada por Stanley Kubrick ("Nascido Para Matar" ou "De Olhos Bem Fechados") e prosseguida por Christopher Nolan ("Memento" ou "A Origem"). Na verdade, desde "Seven", passando por "Clube de Combate" e "Zodiac", David Fincher tem construído um cinema hermético, cerebral, filosófico e, sobretudo, de elevado interesse sociológico. Ora, é essencialmente enquanto tratado sociológico que "A Rede Social" deve ser analisado. De facto, trata-se de um filme elaborado com precisão geométrica que, partindo de um argumento depurado e rigoroso, entra pelos personagens adentro sem qualquer floreado ou comiseração. São os paradigmas da geração da primeira década do século XX que protagonizam esta história baseada na criação do Facebook (com Mark Zuckerberg à cabeceira). Gente criativa, mas pragmática, com critérios morais ambíguos e indiferentes a causas nobres ou valores éticos. No fundo, são uma espécie de renascimento da geração yuppie que marcou os anos 80 do século passado e que tão bem retratada foi nas obras de Brest Easton Ellis. 

Apesar das excelentes interpretações dos actores (sobretudo de Jesse Eisenberg) e de uma montagem prodigiosa (o fantasma do "Citizen Kane" de Orson Welles também passa por aqui), não estamos perante a obra-prima que grande parte da crítica elevou, mas antes perante um objecto cinematográfico singular a que o tempo permitirá uma leitura mais objectiva.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ministério da "Inducasão" (10)

Isabel Alçada e seus cúmplices decidiram não atribuir o Prémio Nacional de Professores e o Prémio Mérito Integração, iniciativas promovidas em 2007 pela sua antecessora na pasta da educação. Sendo assim, o júri decidiu que nenhum candidato a professor do ano cumpria os requisitos de melhor docente, uma vez que, segundo o Ministério da Educação, "o objectivo desta iniciativa é reconhecer e galardoar os docentes que contribuam de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino". Ou seja, este ano das duas uma: ou todos os professores são bons; ou todos os professores são maus. Na verdade, com esta decisão, os cofres do Estado poupam 25 mil euros e... em tempos de crise... o que era importante há 4 anos atrás deixa de ter relevância.

sábado, 12 de março de 2011

"Civilização" no CALE-se 5

Hoje, pelas 22h, o GAEDE apresentará um excerto de "Civilização", o seu novo espectáculo. Não será ainda a versão definitiva do trabalho, tal como o apresentaremos nos dias 1 e 2 de Abril no Rivoli, mas será uma boa amostra da peça que estamos a ultimar.

O CALE-se 5 é um Festival Internacional de Teatro que decorre na Associação Recreativa de Canidelo (Rua do Meiral, 51 - junto ao Cruzamento dos 4 Caminhos), em Vila Nova de Gaia.

"Civilização" é uma parábola política que reflecte sobre a dialéctica ditadura - revolução - democracia.
Num circo chamado “Civilização”, um palhaço apresenta o maior espectáculo do mundo. Os artistas são pessoas comuns, que lutam pela sobrevivência numa existência marcada pela rotina de um quotidiano absurdo e alienante. Caminham na passarela da vida, assumindo a pose de manequins falsos que caminham altivamente.
O sorriso vazio cessa ao grito de ordem do general em movimentos rígidos e coordenados. Um Messias é elevado, e logo pousado, antevendo-se o ciclo que se segue. Rotina – movimentos repetitivos, indiferença, alienação, tristeza, angústia, prisão. Os guardas controlam todos os movimentos e nada escapa ao grande olho do big brother. A criança, ainda colorida, destaca-se do ciclo e observa os fios esquecidos da marioneta messiânica. Brinca com ela, espicaça-a e, por fim, abre-lhe a consciência. O despertado sente a sua existência e verifica que vive agrilhoado, por trás de um muro. Ergue a sua voz e a sua força contra ele, tenta em vão destruí-lo, perante os olhares perplexos dos outros seres, apáticos, adormecidos. A guarda é chamada a actuar. O Messias é crucificado. Mas outros o seguirão, e o corpo crucificado do mártir desperta mais consciências, que formam um motim. O Messias é libertado. Dois anjos descem para o envolver em carícias, calor materno, útero renovado. A criança desperta-o novamente. As pessoas aproximam-se, prostram-se à sua imagem renascida. O déspota destituído vem oferecer oficialmente o seu lugar. Com relutância, o Messias vestiu a farda de líder. É elevado, é reconhecido. A criança adormeceu também, o grande chefe procura os seus fios. Dançam livres, ou puxados? A farda tomou a pele do Messias. Ele é agora um grande ditador: “Dispersem, trabalhem!”. Vida quotidiana. Cansaço ao extremo, desistência, desfalecem as almas. Mas eis que das cinzas do quotidiano se ergue novamente a criança que, agora renascida, segura cuidadosamente nas mãos uma flor e, com ela, desperta a humanidade e reconstrói a ideia de civilização.

Apareçam!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Ministério da "Inducasão" (9)

O distrito de Viseu deverá ser o mais afectado na nova vaga de encerramento de mais escolas do primeiro ciclo, e alguns estabelecimentos de ensino receberam já ordem para não efectuar matrículas para o 1º ano. O Governo tinha previsto encerrar 400 escolas (sim, 400!), mas de acordo com as contas das autarquias são mais 254 a fechar portas. 

Que futuro espera um País que não cria incentivos à natalidade? Que anos serão esses, os que se avizinham, em que os jovens adultos não sentem que têm condições para se autonomizarem e construírem uma família? Que projectos de vida estarão a ser edificados? Que importância dá o Ministério da Educação à educação para a identidade? Que plano teleológico orienta o Governo de quem insiste em nos (des)governar?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Banda sonora para o Inverno (16)

Poucos músicos na história do jazz se demonstraram tão produtivos e com tanta capacidade de reinvenção quanto David Murray. Em 35 anos de carreira, o saxofonista norte-americano gravou 150 álbuns, e se não é fácil encontrar na sua discografia um mau disco, é tarefa ainda mais hercúlea escolher a sua obra maior. Acaba de lançar um novo CD com o seu Cuban Ensemble, com o sugestivo nome de "Plays Nat King Cole En Español". Quem procurar aqui uma mera repetição - instrumental ou cantada (desta vez por Daniel Melingo) - de parte do cancioneiro do mítico Nat King Cole, engana-se, uma vez que a revisitação de David Murray é sempre construtiva porque assumidamente interpretativa.

Assinale-se no disco o contributo da Sinfonieta de Sines, em perfeita harmonia com a elegância do saxofone de Murray. Embora não seja a obra-prima do músico, é um disco quente que merece ser escutado com atenção.

David Murray Cuban Ensemble Plays Nat King Cole En Español

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"Indomável" - o melhor filme dos irmãos Coen

Joel e Ethan Coen têm uma das carreiras mais surpreendentes e regulares da história do cinema americano. Começaram a realizar filmes na década de 80 como cineastas independentes, mantendo uma produção regular já há cerca de trinta anos. Recordo-me perfeitamente de ver que algo divergente estava a nascer na produção cinematográfica norte-americana quando, nos meus tempos de adolescência cineclubista, me deliciei com o anti-thriller "Sangue Por Sangue" (1983). A partir daí, não mais deixei escapar qualquer fita assinada pelos dois irmãos e, apesar de nem sempre me ter deixado levar por algumas das suas obras (sim, até os grandes artistas têm obras menores), reconheço em todos os seus filmes traços autorísticos singulares no contexto da actual produção cinematográfica.

A última película de Joel e Ethan Coen chama-se "Indomável", tem Jeff Bridges no papel da sua vida e é um western à moda antiga: com uma estrutura narrativa clássica, sem floreados ou redundâncias, com a câmara sempre no sítio certo, sem um único plano a mais, uma montagem certa, ritmada mas sem ser feérica, pleno de humor (negro, ou não fosse este um filme dos Coen), mas sempre visceral e directo ao osso.

Surpreendentemente, ainda há críticos que analisam "Indomável" como se se tratasse de uma visão peculiar do western, adjectivo que em nada abona a favor do filme nem ilustra a garra (a true grit do título original) com que os Coen atacaram o romance de Charles Portis. É um filme inspirado em John Ford, Howard Hawks, George Stevens, Michael Curtiz, entre outros monstros sagrados da Sétima Arte. Ah, e é uma obra-prima!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"Alfreda ou a Quimera" - o Porto visto por Vasco Graça Moura

Obra de elevada inspiração, "Alfreda ou a Quimera" é a confirmação do talento - imenso! - de Vasco Graça Moura como romancista de excepção. Trata-se de uma história de amor com todas as condições para ser um sucesso editorial. Senão vejamos: um bibliófilo do Porto apaixona-se obsessivamente por uma viúva a quem foi comprar livros antigos. Viu-a uma vez e nunca mais a esqueceu. A partir daí, procura-a desesperadamente em todos os locais que (re)visita, inclusive torna-se, para o protagonista, o paradigma de mulher, procurando-a, portanto, em todas as mulheres.

"Alfreda ou a Quimera" é um tratado de amor à Cidade Invicta, permitindo ao leitor que, tal como eu, vive e trabalha no Porto sinta todos os cheiros e se passeie por todos os lugares emblemáticos da cidade. Romântica, poética, erudita, clássica e moderna, a presente obra literária clama por leitores, tal a vontade manifesta em narrar uma história bem contada. 

E que tal um filme que adapte a obra?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dia Europeu da Vítima

Este dia foi criado para homenagear todas as pessoas que sofrem ou sofreram violência de causas naturais ou humanas e para que, com base nesses sacrifícios e dramas, se avance para uma sensibilização no sentido de atenuar estes atentados à vida, sejam eles a nível individual (assassinatos, acidentes rodoviários, de trabalho ou outros) ou colectivos (guerras, atentados, terrorismo, etc.). 

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima é uma das forças existentes para fazer frente a esta realidade; no entanto, grande parte desta luta cabe ao ser humano em geral e à capacidade de combater o lado menos positivo que cada um de nós tem dentro de si. E mesmo quando o infortúnio advém de factores externos, só a solidariedade entre os homens terá a capacidade de atenuar todo o sofrimento que este possa causar. É um problema colectivo que necessita de uma reflexão individual para se alcançarem soluções, pois todos os dias têm de ser dias de apoio à vítima, numa sociedade que se quer e diz civilizada e respeitadora dos indivíduos que a ela pertencem.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Banda sonora para o Inverno (15)

Até hoje, Bola Johnson aparece apenas nas margens da paisagem musical de Lagos, Nigéria, das décadas de 60 e 70. A recente edição da primeira colectânea do artista - "Man No Die" - talvez venha repor a justiça no tratamento e atenção que o rocker merece. De facto, escutando o CD duplo com atenção encontram-se aqui pérolas de géneros musicais tão diversificados como o funk, o rock, o highlife, característicos do afrosound de há cerca de quarenta anos atrás. Mas o que importa é, na verdade, a modernidade estética do cancioneiro de Bola Johnson, um verdadeiro artista.

"Lagos Sisi" - Bola Johnsosn



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Pode alguém ser quem não é? - por José Matias Alves

Pode alguém ser quem não é? Pode um professor ser tudo? Um ser que instrui, cuida, socializa, e estimula? Que guarda e toma conta? Que é amigo, irmão, pai e mãe? Psicólogo, sociólogo, assistente social? Pode alguém ser quem não é?

Evidentemente que não. O professor não pode ser tudo o que se lhe está a exigir. Porque não sabe. Porque não pode. Porque neste excesso impossível de ser, corre o risco de não ser o essencial: ser professor.

E ser professor é ensinar, isto é, instruir, socializar e estimular. Ou, para sermos mais precisos e explícitos, fazer aprender os alunos. Diagnosticando as inteligências, os talentos e as vontades. Percebendo as resistências e os entraves às aprendizagens. E ensaiando as chaves capazes de abrir as portas da vontade, condição primeira do sucesso. Porque o verbo aprender não suporta o imperativo, o professor tem de se concentrar nessa tarefa essencial de despertar a sede de aprender. E quando o consegue, grande parte da sua missão de ensinar está cumprida.

E é também por isto, por esta muito difícil exigência, que o professor se tem de concentrar no que é: esse ser atento e frágil que muda o destino dos outros através do conhecimento e da exigência.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Diários do Vampiro" - bom entretenimento

Sombria, melancólica e repleta de romantismo, "Diários do Vampiro" (adaptação de um romance de L. J. Smith) é uma série imperdível. Narra a história de dois irmãos vampiros, um bom e o outro pérfido, e Elena, uma espécie de reencarnação de uma bela mulher por quem ambos se apaixonaram em meados do século XIX. À medida que Elena vai entrando na vida destes irmãos, a pequena cidade onde habitam torna-se num local de estranhos acontecimentos entrelaçados numa cativante teia de segredos, paixão, suspense e terror.

Curiosamente, esta série produzida por Kevin Williamson começa de forma entediante, mas a partir do sexto episódio (é preciso alguma paciência para chegar lá) vale bem a pena: os personagens ganham espessura e o argumento vai amadurecendo, conquistando o espectador.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

São Valentim em 2011

Foi São Valentim
Padre, herói, cavaleiro do Amor
Que secretamente casou
Jovens que se comprometiam a amar

Desejemos ser
Dois desses jovens
Amantes no eterno
Que só o Amor permite

Vamos ser dois amantes
Que fazem juras de Amor
Num jardim, na praia ou junto a um altar
E, assim, sermos abençoados por São Valentim.

Para L.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Estado da Nação (24) - um número fiscal

"Todos os dias morrem pessoas na solidão em prédios com dezenas de inquilinos que vêm a saber pela televisão a notícia da morte da vizinha da frente. O caso da senhora encontrada em sua casa nove anos depois de ter morrido não ilustra apenas, de forma mais chocante, a desumanização das nossas sociedades urbanas; demonstra a falência de todos os sistemas de ligação de uma pessoa à comunidade, começando pela mais importante e decisiva que é a família. Todos falharam? Não. O fisco cumpriu a sua missão. Penhorou a casa e vendeu-a sem cuidar de saber por que não pagava a falecida uma dívida de 1500 euros. É nisto que estamos transformados: num número de identificação fiscal."
Fernando Madrinha, Expresso (12.02.11)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Banda sonora para o Inverno (14)

Para amparar a alma nestes dias cinzentos nada melhor que escutar repetidamente o novo disco de Esperanza Spalding, "Chamber Music Society". "Little Fly", "Knowledge of Good and Evil" ou "Winter Sun" são canções da mais pura filigrana do jazz. É música eclética, sim senhor, mas é sobretudo um conjunto de pérolas soberbamente interpretadas por uma cantora e instrumentista que é sinónimo de classe e bom gosto. O futuro do jazz também passa por aqui.

"Liitle Fly" - Esperanza Spalding


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

"72 Horas" - thriller intenso de Paul Haggis

Paul Haggis assina em "72 Horas" um thriller capaz de suspender o tempo psicológico do espectador durante cerca de duas horas. O filme conta a história de um homem banal, professor numa escola secundária, que assiste impotente à condenação da sua mulher por homicídio. O seu amor incondicional leva-o a encetar várias tentativas de a libertar da prisão, planeando uma fuga algo desastrada mas sempre movida pelos afectos mais profundos e humanos.

A película segue a tradição do cinema de inspiração liberal norte-americano, centrando-se num homem decente, que persiste numa luta solitária contra um sistema judicial fechado em leis cegas, encontrando como única solução possível usar o crime para combater a injustiça. Russell Crowe tem aqui um papel bigger than life, encontrando sempre o tom certo para conferir dignidade ao personagem que interpreta.

Um dos melhores filmes do ano, estranhamente arredado da corrida aos Óscares 2011.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Templários do Rock

Acabo de ter o privilégio de ouvir um novo projecto musical que - espero - venha a ser alvo da atenção dos media e do público que, indiscutivelmente, merece. Num novo século que, em Portugal, começou muito mal em termos políticos (com um péssimo governo que se perpetua absurdamente há tantos anos, é difícil classificar esta como uma época conturbada), as bandas de rock nacionais têm demonstrado uma estranha indiferença a este desgoverno que ousa conduzir a embarcação sem bússola e sem sequer saber olhar o universo e ler as estrelas. Longe vão os tempos de um pop-rock interventivo e com vontade de agitar as consciências. Aguarde-se, então,  o disco a que me refiro e retenha-se, por enquanto, o nome: Templários do Rock. É rock'n'roll puro, crítico e directo ao osso. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Banda sonora para o Inverno (13) - o melhor disco do ano?

Kanye West acaba de lançar um disco como há muito não ouvíamos, mas para verdadeiramente desfrutarmos da sua audição torna-se imprescindível quebrarmos barreiras ou preconceitos musicais. Para aqueles que reduzem o artista à escola do hip-hop, o álbum "My Beautiful Dark Twisted Fantasy" é um brilhante exemplo do erro que cometemos ao ler a música à luz de tais etiquetas. 

Ouça-se então o disco do artista, procure-se compreender o seu carácter conceptual, operático, sinfónico, o seu pendor megalómano, visionário e genial, que perfaz qualquer coisa que, para quem se orienta por rótulos, designaria por hip-hop progressivo. Na verdade, Kanye West há muito que deixou para trás o edifício do rap tal como o definíamos até aqui, desenhando um percurso pessoalíssimo que ainda mais ninguém teve a ousadia de traçar.

Uma obra-prima incontornável!

"Ruanaway" - Kanye West

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"O Turista" - flop cinematográfico do novo ano

"O Turista" é o remake de um bem sucedido filme francês de Jerôme Salle, "Anthony Zimmer" (2005), reiterando a tendência do actual cinema norte-americano em replicar filmes estrangeiros de sucesso. Mas qual o interesse de refazer uma película tão recente e que em nada exigia ser completada? A resposta é tão desconcertante quanto a escolha dos protagonistas de "O Turista" em participar em tão deplorável filme (para os mais distraídos, trata-se simplesmente de Johnny Depp e Angelina Jolie). A juntar a tão deprimente festa surge o realizador Florian Henckel von Donnersmarck que, em tempos idos, assinou "A Vida dos Outros", fita que, para muitos críticos, é um dos melhores filmes europeus da década passada.

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...