
O grande cinema europeu já foi sinónimo de cinema italiano: Fellini, Antonioni, Scola, De Sica, Rosselini, Pasolini e Visconti foram - e continuam a ser - nomes maiores do cinema mundial e permanecerão na história como referências incontornáveis sempre que se fale em cinema de autor. Essa era dos estúdios da cinecitá, em Roma, começou a declinar no fim da década de 70, culminando na elegia fílmica "Cinema Paraíso", de Giuseppe Tornatore.
Nos últimos 20 anos, Nanni Moretti tem-se afirmado como nome maior do cinema italiano contemporâneo, quer como actor e realizador, bem como argumentista. Em "Caos Calmo", de Antonello Grimaldi, Moretti surge como actor principal (e que interpretação, senhores!) e co-argumentista.
No mesmo dia em que salva uma mulher na praia, um empresário bem-sucedido fica súbitamente viúvo e a braços com os cuidados da sua pequena filha. No primeiro dia de aulas de mais um ano lectivo, ao deixar a filha na escola diz-lhe que ficará ali, à porta, à sua espera. E assim faz: deixa de ir ao local de trabalho e passa a tratar dos seus negócios num banco de jardim, em frente à escola da filha. A sua estranha permanência nesse local chama a atenção dos que se cruzam com ele, suscitando perplexidade, mas também carinho, amizade, confiança e compaixão naqueles que tomam conhecimento da sua invulgar opção.
O filme entranha-se no espectador logo nos primeiros minutos, mantendo-nos presos à singular condição do personagem interpretado por Moretti. No fim, ilumina-nos com o seu optimismo. "Caos Calmo" é uma película encantadora, plena de personagens de carne e osso, com uma realização subtil de Antonello Grimaldi, que merece ficar na história do cinema como um dos melhores melodramas da presente década.
Trailer de "Caos Calmo", de Antonello Grimaldi
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