
Roland Emmerich parece ter-se especializado na realização de filmes-catástrofe, senão vejamos: "O Dia da Independência", "Godzilla", "O Dia Depois de Amanhã" e o recém-estreado "2012", são algumas das obras que trazem a sua assinatura. Não há praticamente nada que as distinga, repetindo até à exaustão as mesmas fórmulas estafadas, plenas de situações e personagens estereotipadas (os patriotas Presidentes dos Estados Unidos da América, os heróicos pais de família, os cientistas ao serviço da ética e em prol da salvação do Planeta, a redenção final causadora de relief no espectador, a destruição limpa, isto é, um sem-número de mortes mas sempre sem se mostrar um pingo de sangue em toda a película). A única dessas fitas que escapa à mediocridade geral da marca Emmerich é "O Dia Depois de Amanhã", onde um planeta à beira de súbitas e imprevisíveis alterações climáticas leva o governo americano a pedir asilo aos mexicanos.
"2012" resume-se a uma entediante sucessão de efeitos especiais, num tempo em que tudo parece já ter sido feito e mostrado, mas em que o permanente avanço das tecnologias digitais conduzem a indústria a limitar-se a exibir imagens sem possibilitar qualquer espaço para o recurso à imaginação do espectador. São mais de duas horas e meia de personagens vazias, estereotipadas e surrealistas a pedirem uma urgente paródia a este género de filme, situações inenarráveis e inacreditavelmente ridículas, sem chama ou alma, e se emoções provoca em algum adulto será apenas no mais grunho ou mentecapto. Este género de filme pede personagens e situações credíveis, mas o argumento de "2012" parece ter sido entregue aos guionistas de "Morangos Com Açucar", tal é o medo de não agradar às massas adolescentes que consumirão o filme enquanto devoram um balde de pipocas e enviam sms.
Não há nada inteligente ou sério no novo filme de Emmerich. O seu único objectivo é aproveitar-se do mau gosto de algumas paranóias colectivas para fazer dinheiro. Não é Spielberg quem quer, nem basta ter muito dinheiro para fazer um bom filme de entretenimento. É preciso talento, criatividade e vontade em arriscar. No meio disto, é lamentável ver John Cusack, um dos melhores actores norte-americanos no activo, a desperdiçar talento ao serviço de tamanha catástrofe cinematográfica.
Trailer de "2012", de Roland Emmerich
ainda bem que o professor avisa... pois estava quase para ir ver esse filme neste fim de semana :x
ResponderEliminarbeijooo