quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Contos de Silvina Ocampo (1) – “A Fúria"

Escritora dotada de uma imaginação prodigiosa e de uma técnica narrativa singular, Silvina Ocampo é usualmente apontada como uma destacada rebelde das letras argentinas. Foi companheira de Adolfo Bioy Casares e amiga íntima de Jorge Luís Borges.

A Fúria e outros contos é, talvez, a sua obra-prima. Neste livro, editado em Portugal pela Antígona, reúnem-se trinta e quatro contos com narrativas plenas de notas de insólito, humor, drama, fantasia e terror, que reclamam leitura ávida e apuram o bom gosto literário.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Estado do Mundo (51) - Um Prémio Nobel num mundo desinteressado pela Paz


O Prémio Nobel da Paz de 2022 foi atribuído ao ativista bielorusso Ales Bialiatski e a duas organizações de direitos humanos - a russa Memorial e a ucraniana Center for Civil Liberties. O comunicado divulgado pelo Comité Nobel Norueguês sublinha que os vencedores "representam a sociedade civil nos seus países de origem".

Não deixa de ser um sinal dos tempos deveras preocupante o diminuto destaque que esta notícia mereceu nos principais órgãos de comunicação.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Prémio Nobel da Literatura 2022


O Prémio Nobel da Literatura deste ano foi entregue à escritora francesa Annie Ernaux, "pela coragem e acuidade clínica com que ela põe a descoberto as raízes, alienações e constrangimentos coletivos da memória pessoal".

Quanto a mim, irei começar, em breve, a ler a obra "O Acontecimento", editada, este ano, em Portugal pela editora Livros do Brasil.

domingo, 9 de outubro de 2022

Estado da Nação (38) - Cinismo republicano


"O Presidente é a voz dos que não têm voz. A nós compete-nos o que não compete a mais ninguém, que é encontrar soluções para os problemas."

António Costa, 05 de outubro de 2022

sábado, 8 de outubro de 2022

Estado da Nação (37) - Pois, temos pena...

"O meu marido perdeu uma fortuna. Do ponto de vista económico, a minha passagem pelo Governo foi uma tragédia (...). Um ministro não ganha para o que faz. Há uma exposição pública tremenda que afeta o próprio e as famílias."

Francisca Van Dunem, Ex-ministra da Justiça, Expresso, 7 de outubro de 2022

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Mudar


Por vezes, sentimos que precisamos de recomeçar. Contudo, começar de novo implica estarmos dispostos a nos reinventarmos, a procurar outras soluções para velhos problemas. Se não tivermos ainda percebido que a natureza está em permanente devir (e Heraclito registou esta evidência, a partir da observação rigorosa, há mais de dois milénios), também não seremos capazes de mudar. O problema é que, quando menos esperamos, as circunstâncias requerem capacidade de adaptação e, caso não revelemos essa aptidão, se formos resistentes à mudança, estagnamos e tornamo-nos inflexíveis.

Ora, o recolhimento proporciona momentos de reflexão cuidada que sustentam as melhores escolhas que podemos fazer.

É bom lembrar as palavras de Curzio Malaparte no livro Kaputt: “Prefiro que seja necessário refazer tudo a ser obrigado a aceitar tudo como uma herança imutável”.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Autonomia

 


Na sua autobiografia, Woody Allen confessa que a sua maior fobia é o medo de entrar. Convidado frequentemente a festas de gente ilustre (por vezes, políticos ou artistas que ele muito admirava) deixava-se ficar à porta a esforçar-se por superar o medo de entrar e ser forçado a estar presente, a ter que sorrir e socializar.

Na verdade, sempre vimos com melhores olhos pessoas populares e altamente sociáveis do que aquelas que preferem estar sós. Contudo, tal como Woody Allen, na maior parte das vezes, também eu “prefiro ficar no meu apartamento”. Por isso, há que conseguir dizê-lo alto e bom som; sabermos recusar o convite sem receio do que os outros possam pensar. Nesse aspeto, a personalidade daquele cineasta norte-americano é admirável, aliás, chegou a recusar prémios pela sua obra porque a condição para os receber seria ter que estar presente na cerimónia de entrega e recebê-los pessoalmente.

No início, pode custar, mas cedo nos habituaremos a decidir autonomamente, não cedendo a pressões ou a preocupações com aquilo que os outros irão pensar. Diz um conhecido aforismo que se é verdade que não posso controlar o que os outros pensam, posso controlar aquilo que penso.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Correr

 


Há cerca de dez anos, redescobri um dos meus prazeres de infância: correr. A corrida (tal como a caminhada) é um exercício terapêutico: liberta toxinas, reequilibra mente e corpo, mas também proporciona momentos de introspeção, reflexão e balanço interior.

Correr regularmente reposiciona-nos perante o mundo, ajudando-nos a mitigar problemas e preocupações. Em boa verdade, correr produz efeitos semelhantes à meditação e, ainda que possamos treinar em grupo ou em equipa, os resultados são mais benéficos quando corremos sozinhos. Primeiro, porque exercitamos a motivação intrínseca (dependemos apenas de nós próprios para superarmos limites); segundo, porque definimos o nosso ritmo individual e as metas que pretendemos alcançar, tornando a prática mais livre e saudável; e, por último, porque desenvolvemos a capacidade para nos concentrarmos no silêncio, apurando o foco e depurando o pensamento.

Por isso, correr também é um ato solitário.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Detox

 


Na canção referida no capítulo anterior, Rui Veloso canta (…) e vale mais uma palavra / que mil imagens por minuto. Embora a música tenha sido composta na década de 90 do século XX, a letra está mais atual do que nunca.

De facto, vivemos, definitivamente, na era das imagens, aceleradas por redes sociais virtuais como o Instagram. Publicamos fotografias das férias de Verão em poses encenadas, dos aniversários dos filhos, da iguaria prestes a degustar à mesa do restaurante, enfim, um sem-número de atos quotidianos triviais que tornamos públicos, esbatendo a fronteira com a esfera privada. É a distopia Orwelliana materializada pela vontade individual (egocêntrica e acrítica, diria eu).

Mas não será esta aparente obsessão coletiva com as imagens uma máscara da solidão individual? Uma forma de nos iludirmos (e de iludirmos os outros) de que somos populares, bem-sucedidos e levamos a vida perfeita?

Tal banalização do quotidiano sobrepõe-se ao prazer espontâneo que outrora sentíamos naquilo que experienciávamos. Agora, há que registar tudo na câmara do smartphone e publicar as imagens, identificando devidamente o local.

Afinal, queremos ser permanentemente observados? E estamos a comunicar com quem? Com centenas, quando não milhares de amigos virtuais, muitos deles seguidores que nunca vimos fora do ecrã do telemóvel?

Há que redescobrir o prazer da fruição do instante, viver o momento apenas para vivê-lo e esquecer a pressão da foto, exercitando, desse modo, a memória afetiva.

Ao invés de querer encenar mais uma fotografia, experimente o prazer de apenas conversar com a pessoa que o/a acompanha. Ou, em alternativa, concentre-se no silêncio, na paz que o momento lhe transmite, na música que está a ouvir no concerto, no prato que está a saborear ou, simplesmente, limite-se a comungar com a Natureza. Vai ver que vale a pena!

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Lentidão

 


No mundo urbano do século XXI, tanto em países ricos como em países pobres, precisamos que tudo seja rápido, desde o nascer do dia até ao cair da noite. Pensemos sobre há quanto tempo não contemplamos a aurora ou o anoitecer com o devido vagar. E, a seguir, tomemos consciência do quanto isso nos faz falta. Será que a forma como vivemos corresponde ao modelo de vida que desejamos? Poderá a voragem dos dias proporcionar sentido para a existência?

A reflexão, seja sob a forma de introspeção ou de pura meditação, exige lentidão. O mesmo acontece com tudo aquilo que nos dá mais prazer: degustar um delicioso prato de comida, visitar um museu, ver um bom filme, ouvir um disco do princípio ao fim, amimar as pessoas que amamos, contemplar uma paisagem natural e até descansar. Tudo isto são prazeres superiores que nos fazem sentir vivos e dão propósito à existência. Ou, pelo menos, proporcionam encontros com sentido. Dito de outro modo: todas as experiências pessoais positivas contribuem para encontrar um sentido, uma orientação ao afirmarem-se como o Norte da nossa bússola interior.

Proponho ao leitor que faça uma pausa e ouça a canção Do meu vagar, composta por Rui Veloso e Carlos Tê. Atente na letra e, depois, reflita.

domingo, 2 de outubro de 2022

Educação e cultura

 


Um aspeto importante a ter em conta é o do papel da educação na forma como perspetivamos e até no modo como desejamos a solidão, o recolhimento interior. Sem educação (e aqui referimo-nos, sobretudo, à educação formal, institucional e académica) teremos dificuldade em compreender a relevância da solidão na busca pelo autoconhecimento, mas também para sabermos manter o foco e disciplinar a capacidade de concentração.

Por outro lado, sem sede de conhecimento, sem interesse pela cultura (tanto a baixa como a alta cultura, se quisermos adotar tal distinção elitista, mas, quanto a nós, são ambas igualmente importantes e o seu acesso deve ser justamente democratizado) não saberemos como desfrutar do tempo em tebaida, teremos até aversão à perspetiva de dedicarmos tempo a nós próprios, considerando-o inútil e o equivalente a um certo descaminho. Mas, também nesse caso, seremos incapazes de entender o valor de um livro (não o conseguiremos verdadeiramente ler, dada a concentração e o foco que a leitura exige), não poderemos desfruir da audição de um disco de John Coltrane, o êxtase proporcionado pela contemplação do Belo (por exemplo, um quadro de Vermeer) ser-nos-á inacessível, assim como será impossível perceber o puro prazer estético proporcionado pelo visionamento de um filme de Ingmar Bergman.

sábado, 1 de outubro de 2022

Autoconhecimento

 

Postulámos anteriormente que a solidão é condição indispensável para o autoconhecimento.

Frequentemente, evitamos o isolamento (no sentido de estarmos connosco próprios) porque tememos não gostar de nos confrontarmos com os nossos pensamentos. Talvez tenhamos algum receio daquilo que possamos descobrir. Mas quem somos nós realmente? Quem sou eu na verdade?

Por isso, enganamo-nos ao considerar que (o convívio com) os outros são condição suficiente (se não mesmo necessária) para a nossa felicidade. Procuramos sistematicamente estar com, buscamos o frenesi, ansiamos pelo bulício, apreciamos ruído e sentimo-nos desconfortáveis quando o silêncio se instala. Estes paraísos artificiais, ainda que importantes (em proporções moderadas) para o bem-estar individual, funcionam quase sempre como fugas (uma espécie de escapismo urbano-hedonista) mas (em doses desproporcionadas) são igualmente obstáculos à introspeção, à predisposição para a autoanálise.

Em boa verdade, a solidão (acompanhada pelo silêncio) é fundamental, na medida em que ela é o primeiro alicerce para a auto-observação que devemos aprender a cultivar.

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Porquê a solidão?


Retomemos o ponto de partida: há que saber aceitar a solidão como atitude de vida. Isto não significa que devemos votar os outros à solidão ou aceitar a frieza da indiferença (nossa e dos outros). Há, pois, também que clarificar o que não significa a solidão aqui enaltecida, de modo a podermos demarcar com rigor a solidão desejável e que se deve cultivar do sentido comummente aceite.

A solidão como forma de autoconhecimento e condição necessária para a felicidade não deve ser confundida com: (i) desprezo pelos outros nem como uma forma dissimulada de auto-depreciação, (ii) com insensibilidade pelo sofrimento alheio ou pelo isolamento que resulta daquela postura eticamente reprovável, (iii) com menosprezo ou egoísmo, (iv) e, muito menos, com misantropia.

A solidão que devemos ser capazes de desenvolver interiormente é aquela que predispõe para a contemplação da Beleza (seja uma paisagem natural seja uma obra de arte), para a prática anónima da solidariedade (o altruísmo genuíno dispensa a publicidade para o bem que se faz) e para o autoconhecimento que, por seu turno, enterreira para amar sem barreiras.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Consumismo

 

O consumismo é inimigo da solidão que desejamos, pois incrementa a solidão que não devemos alimentar. Esta última forma de solidão advém do desejo intenso de ter e diminui a vontade de ser.

Ficamos presos à ânsia de se possuir mais bens materiais e a uma ilusória sensação de felicidade. Claro que não podemos ser felizes se não formos livres! Mas poder consumir desenfreadamente não é condição necessária, muito menos suficiente, para a liberdade. Pelo contrário, apenas nos torna uma espécie de produto em série da sociedade de consumo.

Se o livre-arbítrio estiver dependente do poder de compra, pense: qual será a percentagem de pessoas felizes?

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Compreender a solidão

 

Há que perceber a solidão, analisá-la, capacitando-nos com uma dádiva que apela ao conhecimento interior. A solidão não está a mais nem a menos. Ela não se instala para cobrar o mal que fizemos, muito menos para nos consciencializarmos de que nos afastámos dos outros, nos desvinculámos da comunidade e que passámos, filauciosos, a viver para nós próprios ou a olhar para o nosso próprio umbigo.

Há que receber a solidão como uma dádiva, deixá-la entrar como se de um entrenervo se tratasse. Ela também faz parte do edifício interior que, ao longo da vida, vamos construindo, embora nem sempre nos apercebamos, já que ela vive no imo ande a alma habita.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

"Às Coisas Que Nos Fazem Felizes" - de Gabrielle Muccino


Amarcord, de Federico Fellini, 1900, de Bernardo Bertolucci, Era Uma Vez Na América, de Sergio Leone, e Cinema Paraíso, de Giuseppe Tornatore, são exemplos maiores (e inolvidáveis) de épicos dramáticos assinados por realizadores que só por essas obras mereciam figurar na lista dos melhores cineastas do século XX. 

Com As Coisas Que Nos Fazem Felizes, Gabrielle Muccino cria um filme que, claramente, se insere nessa excelsa linhagem do cinema italiano. Neste filme acompanhamos a história de quatro amigos ao longo de outras tantas décadas. Começa em 1982 e termina já na presente década, pretexto para Muccino revisitar acontecimentos em Itália e no mundo ocidental que marcaram incontornavelmente a memória coletiva.

Que não restem dúvidas: esta é uma longa-metragem poética, comovente, herdeira digna do melhor cinema clássico italiano.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

"28 1/2" - Gentrificação e cursos sem profissão, segundo Adriano Mendes


Há pouca informação disponível sobre esta longa-metragem de Adriano Mendes, mas o filme recomenda-se.

28 1/2 é uma pequena pérola para compreender certos problemas sociológicos que têm marcado as primeiras décadas do século XXI, nomeadamente a questão dos cursos superiores que, embora homologados e já com inúmeros licenciados, não encontram o reconhecimento da profissão no mercado de trabalho. Por outro lado, a longa sequência final, em que Adriano Mendes filma uma conversa num jantar de amigos, discute o problema da gentrificação na cidade de Lisboa que, literalmente, expulsa os lisboetas (ou muitos dos que lá querem trabalhar) para zonas periféricas marcadas pela exclusão social. 

A película, escrita e realizada com vontade e rigor,  marcará, com certeza, o ano cinematográfico português. Pena é ter sido ignorada pelo público e pela imprensa. 28 1/2 merecia a devida divulgação e visionamento.

domingo, 25 de setembro de 2022

"A Lança em Chamas" (1960) e "Telefone" (1978) - dois filmes menores de Don Siegel


Clint Eastwood homenageou Don Siegel (e Sergio Leone) no memorável western Imperdoável (1992). Tinha boas razões para tão respeitável gesto: Siegel foi (com Leone) tão somente o realizador que desenhou a imagem de marca de Eastwood (sobretudo, em Dirty Harry) e relançou a sua carreira já após os 40 anos de idade.

Embora seja um nome incontornável do cinema de ação, Siegel tem, na sua longa filmografia, alguns títulos menores, como, por exemplo, os dois que aqui se registam, curiosamente, veículos para os seus protagonistas. 

A Lança em Chamas é um western produzido no auge da fama de Elvis Presley, filmado com o rigor clássico dos grandes artesãos de Hollywood; é também um dos últimos filmes do período de ouro do género cinematográfico americano mais icónico.

Telefone é um thriller político típico dos anos da Guerra Fria, com Charles Bronson (na altura, talvez o ator mais popular da série B) no papel de um agente do KGB responsável por cumprir uma missão de risco nos EUA - eliminar um perigoso agente soviético que decidiu levar a cabo um ato terrorista, entretanto descontinuado pelo Kremlin. O filme arrasta-se num ritmo lento e penoso, desafiando continuamente os limites da paciência do espectador. Salva-se Lee Remick no papel de agente infiltrada do KGB em solo americano, parceira de missão de um Charles Bronson que nunca consegue estar à altura daquela diva do cinema clássico. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

"Foxy Brown" - icónica Pam Grier


Foxy Brown é a personagem mais icónica dos blaxploitation movies. Realizado por Jack Hill, em 1974, é uma pequeníssima produção, com um argumento trapalhão e um punhado de maus atores, de onde sobressai uma enorme atriz. Em boa verdade, sempre que Pam Grier está em cena (na pele da heroína do título) o filme eleva-se do seu estatuto de menoridade, justificando a permanência da fita para além da iconoclasta década em que foi produzido.

Paradigma de um género que desapareceu (aqui e ali homenageado por cineastas superiores, como Spike Lee ou Quentin Tarantino), tem algumas cenas tão más que se tornam muito boas. A começar na sequência noturna de abertura, com um gângster gingão a tentar proteger-se de outros facínoras, passando pelo sangue que escorre das vítimas como tinta de aguarela.

Vinte e três anos mais tarde, Tarantino iria homenagear esta película, oferecendo, finalmente, a Pam Grier o filme que a atriz merecia. Chamar-se-ia Jackie Brown e é, para este escriba, a obra-prima de Quentin Tarantino.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

"A Cidade Turbulenta" - de George Marshall


A Cidade Turbulenta (no original, Destry Rides Again) é um dos westerns clássicos produzidos na década de 30 do século XX (o filme é de 1939), assinado por um brilhante artesão, George Marshall, e protagonizado pela versátil Marlene Dietrich, pelo sempre gentil James Stewart e por um vilão exemplar, o saudoso Brian Donlevy. Além de ser um filme de ação, é um objeto divertidíssimo (para o qual contribui - e muito - o chistoso Charles Winninger).

O xerife de uma pequena cidade é morto por um bandido que pretende controlar os rancheiros de gado da região. Rapidamente, o Mayor corrupto daquela povoação nomeia para novo xerife o ébrio mais popular do saloon local; mas este, contra todas as expectativas, assume o cargo com sentido de responsabilidade, recupera a sobriedade e contrata o filho de um antigo xerife e herói local, Tom Destry Jr., que, sob o manto de uma aparente ingenuidade, irá repor a ordem na cidade e combater a corrupção.

George Marshall foi um dos fundadores da linguagem cinematográfica como hoje a conhecemos. Realizou cerca de uma centena de filmes, desde a década de 20 (ainda nos tempos do cinema mudo) até ao término da década de 60. Merece ser redescoberto e A Cidade Turbulenta é um bom ponto de partida.

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...