quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

"Avatar" - o melhor filme de 2009


Foi preciso esperar dez anos para que o cineasta megalómano, James Cameron, regressasse (a sua anterior longa-metragem foi "Titanic") com um filme operático, grandioso, wagneriano, visionário, profético, soberbo e visualmente fascinante. São muitos os adjectivos que servem para qualificar e elevar "Avatar" ao seu real estatuto - uma obra-prima!

Lição cinematográfica de conjugação feliz entre Cinema (sim, com C maiúsculo) e efeitos especiais, reduz à menoridade a maioria das super-produções estreadas em 2009 ("2012", de Roland Emmerich, por exemplo).

Avatar tem vários significados. Em termos religiosos, surge associado à materialização de um ser divino; num plano mais prosaico, significa a representação gráfica adoptada por um qualquer utilizador da internet; pode ainda ser entendido como uma metamorfose, sendo este o sentido que melhor justifica o título da nova obra de James Cameron.

"Avatar" é uma fábula ecológica escrita pelo próprio realizador, fantasiosa, recheada de efeitos especiais e personagens em 3D, que em certos momentos replica a estética do cinema de animação digital. O protagonista é Jake Sully, um ex-marine interpretado pelo actor-revelação do ano - Sam Worthington -, que tendo ficado paraplégico em virtude de um ferimento de guerra faz agora parte do programa Avatar, o qual lhe devolverá a capacidade de locomoção. Avatar é precisamente um programa dotado de uma tecnologia avançada que permite a criação de um ser híbrido, meio humano meio alienígena. O herói, na sua versão avatar, será envolvido numa expedição militar às florestas do planeta Pandora, onde a raça humana tem interesses económicos. Em concreto, os minérios ali existentes, cuja exploração obriga a que os invasores se internem cada vez mais na floresta de Pandora, interferindo na vida dos Navi, povo decidido a lutar pelo seu território ancestral. Sully rapidamente se encontrará dividido entre dois mundos, num dilema ético sem solução diplomática, que só poderá ser resolvido numa guerra sem quartel.

Percebe-se a razão pela qual Cameron demorou uma década a preparar "Avatar". É preciso tempo para alcançar tal depuração formal, conseguir montar uma película sem nenhum plano a mais e em que os efeitos especiais estejam ao serviço da história e não sejam um fim em si mesmo. "Avatar" é um filme a ver, obrigatoriamente.

Trailer de "Avatar", de James Cameron

Sem comentários:

Enviar um comentário

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...