
Baseado no livro de David Ignatius, "O Corpo da Mentira" marca o regresso de Ridley Scott aos grandes temas da actualidade. Neste caso, trata-se do tema do combate ao terrorismo sob o signo do cinema engajado na denúncia à ausência de ideologia na política externa americana. Nele cruzam-se os principais focos de uma guerra silenciosa sem fim à vista, ao ritmo de uma partitura visual orwelliana (o Big Brother, ou a CIA, está sempre a vigiar os passos do protagonista).
Leonardo DiCaprio (sempre no registo certo) interpreta o papel de um agente da CIA a procurar infiltrar-se numa célula terrorista, mas acaba desgastado e corroído pela engrenagem política, sentindo-se uma marioneta manipulada por agentes com comandos à distância. Russell Crowe assume o personagem de um espião burocrata que dirige as pessoas como peões de um jogo de guerra (graças às tecnologias de comunicação digital): vê, decide e ordena confortavelmente sentado em sua casa, enquanto toma o pequeno-almoço ou leva os filhos à escola, acreditando que os meios justificam sempre os fins.
Ridley Scott filma com garra um mundo instrumentalizado por lobbys, terrosristas, mafiosos, traficantes e políticos desonestos, onde os grandes ideais dão afinal lugar ao cinismo mais exacerbado, não havendo espaço para o amor.
Trailer de "O Corpo da Mentira", de Ridley Scott
Sem comentários:
Enviar um comentário