quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Giallo (1) - Lucio Fulci


Em dias de Advento os filmes de terror não são os mais recomendáveis, optando-se por revisitar películas como "Do Céu Caiu Uma Estrela" (Frank Capra, 1946) ou "O Feiticeiro de Oz" (Victor Fleming, 1939), mais apropriadas para esta época de união familiar. No entanto, nada melhor que uns dias de pausa no trabalho para se redescobrir obras mal-amadas, às quais o tempo se encarregou de elevar ao estatuto de filmes de culto - no presente caso, refiro-me a "A Casa do Cemitério", realizado por Lucio Fulci em 1981, obra de um género único conhecido como giallo (a variante italiana do cinema de terror gore).

Para quem procura no Cinema algo mais que uma narrativa, "A Casa do Cemitério" é um delírio estético, filmado à luz de um trabalho de fotografia soberbo, repleto de zoom's e grandes planos numa clara aproximação aos western spaghetti (de que Fulci também foi percursor). A história está cheia de pontas soltas e ausências de raccord (para quem não sabe, raccord designa os efeitos utilizados na linguagem cinematográfica para garantir a coerência ou ligação entre dois planos ou duas cenas), sendo pouco digna de nota. Todavia, à semelhança dos westerns de Sergio Leone ou dos giallo de Dario Argento (os nomes maiores desses singulares géneros cinematográficos), há um charme rude nesta história de uma família que se muda de Nova Iorque para uma velha mansão em Boston, precisamente ao lado de um velho cemitério, descobrindo que na cave se esconde um louco assassino sedento de sangue.

Não chega a ser tão ousado quanto os filmes de Argento, nem tem a sua classe, mas, "A Casa do Cemitério", é, sem dúvida, uma película com lugar obrigatório na DVDteca de qualquer cinéfilo coleccionador.

Trailer de "A Casa do Cemitério", de Lucio Fulci

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