
O cinema de acção sempre foi o prato forte da produção hollywoodesca. Cineastas como Walter Hill, John McTiernan, Peter Yates, Peter Hyams, Don Siegel, John Frankenheimer, Andrew Davis ou Samuel Fuller construiram uma carreira respeitada privilegiando a acção pura e dura. Tratava-se de cinema directo ao osso, uma vez que o espaço e tempo fílmicos eram preenchidos com personagens de real espessura e dimensão enredados num drama que nos convencia e agarrava durante cerca de duas horas.
Actualmente, o cinema de acção subjuga-se a efeitos especiais digitais e mais ou menos pirotécnicos, com personagens de plástico, cujo efeito é provocar sonolência no espectador.
Vem isto a propósito de "Fúria Cega", realizado por Phillip Noyce em 1989 e protagonizado por uma estrela à moda antiga, Rutger Hauer (actor holandês lançado por Paul Veroheven, muito popular na década de 80 do século passado). Vi o filme há 20 anos atrás no cinema e revi-o recentemente em DVD (bendito conceito de home cinema, verdadeiro passaporte para a liberdade de escolha). São cerca de 80 minutos de lição de cinema de acção série B, sem efeitos especiais, com tiros, pancadaria, esgrima e artes marciais q.b.. Acima de tudo, estão personagens definidos nos primeiros 10 minutos de filme, como se de uma breve lição de construção de guião cinematográfico se tratasse.
A história é simples: Nick Parker foi dado como desaparecido em combate, após ter sido abandonado, cego e moribundo no Vietname. Quando finalmente regressa aos EUA, decide procurar e perdoar o seu antigo camarada de armas, Frank Deveraux, o qual se encontra sob o domínio de um traficante que o obriga a manipular drogas.
Veja-se a película de Phillip Noyce e compare-se com grande parte das fitas de acção dos últimos dez anos. As diferenças no conceito são evidentes. De resto, a edição em DVD está à venda ao preço da chuva. Um excelente exercício de memorabilia cinéfila e uma boa descoberta para os cinéfilos neófitos.
Trailer de "Fúria Cega", de Phillip Noyce
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