sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

"Lua Nova" - a irreversibilidade do amor (2)


Já aqui tinha registado uma análise crítica ao filme "Crepúsculo", de Catherine Hardwicke (post de 3 de Agosto de 2009), bem como ao livro "Lua Nova", de Stephenie Meyer (post de 2 de Setembro). Agora, um ano depois do sucesso alcançado pelo primeiro filme ("Crepúsculo" gerou receitas no valor de 350 milhões de dólares em todo o mundo), eis que acabou de estrear o segundo episódio da saga, precisamente "Lua Nova", desta vez com a assinatura de Chris Weitz (realizador do épico de aventuras "A Bússola Dourada").

Tal como já tinha referido a propósito da obra de Meyer, também o filme resulta numa continuação expectável da primeira parte da saga: o romance entre Edward e Bella começa a ganhar contornos cada vez mais trágicos (aliás, a referência inicial a "Romeu e Julieta", de William Shakespeare, não é fortuita, reforçando antes a dimensão trágica - o amor impossível - dos heróis desta história), levando até a uma forçada e prolongada separação entre os dois. A partir daqui, Weitz mantém-se fiel ao livro que adapta para celulóide, conduzindo-nos pelo sofrimento apaixonado de Bella que, estranhamente, descobre uma maneira de se (re)aproximar de Edward, a saber: desafiar o perigo. A protagonista procura também na amizade com Jacob uma compensação para a ausência do seu ex-namorado, relação que a conduzirá a revelações surpreendentes.

O cineasta sabe a que público o filme se dirige, fãs que querem ver na fita o que leram no livro, além de que parece ter visto atentamente o filme de Catherine Hardwicke, uma vez que mantém as texturas dramáticas encenadas em "Crepúsculo": grandes planos, cores garridas, banda sonora indie (Thom Yorke, Muse...), reforçando a componente melodramática do filme anterior. Na verdade, apesar de ter recuperado o género filme de vampiros, do ponto de vista estético "Lua Nova" está mais próximo dos grandes melodramas clássicos de Douglas Sirk, Nicholas Ray, Vincente Minnelli ou Elia Kazan, pelo que - à semelhança da sua prequela - há um certo tom anacrónico que constitui um ponto a favor do filme. Refira-se também que desde a Diane Lane de "Streets of Fire" (1984, Walter Hill) não víamos uma jovem actriz simultaneamente tão expressiva e bonita - o rosto de Kristen Stewart parece ter sido concebido para flirtar com a câmara.

Não é uma obra-prima (longe disso!), mas a apreciação só será justa quando a saga estiver totalmente materializada em película de 70 mm. Por enquanto, sabe-se apenas que o próximo capítulo será da responsabilidade de David Slade (responsável por obras como "Hard Candy" e "30 Days of Night").

Trailer de "Lua Nova", de Chris Weitz

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