
Jorge Palma ocupa um espaço único na história da música portuguesa. Músico irregular em termos editoriais (esteve mais de dez anos sem editar um disco de originais), é um compositor de primeira linha e um cantor inimitável.
Com uma discografia que começa em 1972 e se prolonga até hoje, editou sempre discos excepcionais. Em 1986, depois do sucesso de "O Lado Errado da Noite", grava "Quarto Minguante", um disco injustamente esquecido entre uma obra claramente superior. À semelhança dos outros álbuns do mesmo autor, "Quarto Minguante" é um objecto inclassificável, navegando com a mesma segurança pelas estéticas rock, pop e jazz. É um dos discos mais luminosos de Jorge Palma, mesmo que neste músico a luz seja sempre a forma como a sombra da dor, da perda, do amor, do sexo, da política e da religião se manifestam. Além disso, a sonoridade do LP preparou a obra-prima que iria surgir três anos depois: "O Bairro do Amor".
"A Caminho de Casa", "O Gigante na Jaula de Vidro", "Quarto Minguante" e "Ordem é Ordem" são quatro canções do disco em análise que demonstram o génio sempre inspirado de Jorge Palma. Custa acreditar que esta obra foi marcada por problemas com a editora que levaram o músico a sair da EMI-Valentim de Carvalho...
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