Depois de "Nós Controlamos a Noite", intenso melodrama familiar em tons noir, James Gray retoma os seus temas autorísticos com "Duplo Amor" (no original, "Two Lovers") e, mais uma vez, reinventa o melodrama.
Predominam as cores esbatidas, o nevoeiro, os tons cinzentos e os néons nesta história sobre um homem com tendências suicidas que, após uma desilusão amorosa, reencontra o amor em duas mulheres bem diferentes: uma, por quem se apaixona perdidamente; e outra, de quem se limita a receber amor. Com a primeira mulher (uma interpretação espantosa de Gwyneth Paltrow) estabelece uma relação de amor obsessivo mas unidireccional, visto que ela não sente por ele mais que amizade. Trata-se de um amor forte, intenso, não construído, como normalmente são os amores à primeira vista. Ela é também uma mulher com uma relação disfuncional e, aparentemente, condenada ao fracasso com um homem casado que a sustenta. No entanto, é da segunda mulher (interpretada por Vinessa Shaw) que recebe um amor incondicional, verdadeiro e com quem o protagonista aprende que é possível construir uma relação serena e segura.
Escolher entre a paixão intensa e carnal por uma, e a bondade e lealdade da outra, é o grande dilema moral do personagem interpretado por Joaquin Phoenix, actor que sabe sempre alternar entre a luz e a escuridão enquanto estados de alma. Identificamo-nos com ele pela sua humanidade frágil, pelas suas incertezas e inseguranças, pela sua crise de identidade, por não conseguir ser sincero com a família e com a mulher que o ama. No fim, compreendemos e identificamo-nos também com a sua decisão.
Com um argumento depurado, um trabalho de fotografia que realça as sombras da alma humana e dos lugares onde a acção decorre, bons actores e uma realização superior, o filme recomenda-se.
Trailer de "Duplo Amor", de James Gray
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