
Retomando o tema de filmes como "O Quarto do Filho", de Nanni Moretti, "Reservation Road", de Terry George e "O Casamento de Rachel", de Jonathan Demme, Philippe Claudel coloca agora o drama da morte de um filho na perspectiva da mãe.
Após 15 anos a cumprir pena de prisão por ter assassinado o filho de seis anos, Juliette vai viver com a irmã enquanto procura reintegrar-se na sociedade. O filme vai mostrando essa readaptação de Juliette e o modo como os outros - família, polícia, empregadores - a avaliam a partir do crime que cometeu. À medida que a história avança vamos suspeitando que esse acto, bárbaro se analisado friamente, foi uma decisão tomada por amor incondicional ao filho e é neste pormenor que o filme ganha força e sentido. Dito de outro modo: a película cresce dramaticamente quando nos faz compreender a escolha de Juliette e identificarmo-nos com ela, mesmo conhecendo as consequências de tal acto.
Além do mérito de Philippe Claudel (escritor premiado que aqui se estreia na realização) em centrar o olhar nos personagens em detrimento de qualquer virtuosismo estético, é de destacar a interpretação sublime de Kristin Scott-Thomas, que consegue um registo que nos coloca permanentemente entre a escuridão e a luz, a melancolia depressiva e a alegria de viver.
Trata-se de uma ode à possibilidade de reconstruirmos a vida, assumindo a responsabilidade por todas as nossas acções. Por isso mesmo, não se trata aqui de apagar o passado, mas sim de aprender a integrá-lo nas experiências pessoais de vida e seguir em frente.
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