
Sou responsável por um grupo de teatro - o GAEDE - que tem a dança e a expressão corporal e dramática na sua génese. Trata-se de um projecto que criei na escola onde lecciono e nele escrevo e enceno as peças que levamos ao palco. Os meus colaboradores são alunos do ensino secundário que voluntariamente decidem abraçar o projecto, aprendendo, por um lado, a comunicarem com o corpo e, por outro lado, a encararem a escola como um espaço onde o processo ensino/aprendizagem não tem necessariamente em vista uma avaliação final quantitativa. Este ano, com muito orgulho, apresentámos o nosso espectáculo mais recente, "Ontem à noite, uma criança sonhou...", em Abril no Pequeno Auditório do Teatro Rivoli (consultar: http://www.bebegaede.blogspot.com).
Em todos os trabalhos que desenvolvi no GAEDE pensei em Pina Bausch. Raramente mencionei a alguém essa inspiração, talvez por saber que podia ser mal entendido. Pina Bausch foi sempre uma inspiração, não fruto de uma intenção arrogante de comparar o meu trabalho com o dela. No teatro e na dança sou um amador intuitivo, que exige dos seus actores uma entrega de corpo e alma, e tal implica que eles se esqueçam momentaneamente que são amadores que, fora do GAEDE, dificilmente prolongarão a sua experiência como actores e dançarinos. Sim, à semelhança das obras coreografadas por Pina Bausch, nas peças de teatro que enceno todos os actores dançam. No entanto, Pina Bausch foi sempre uma profissional; uma artista que nunca falou em reforma nem pensava em abandonar o seu frenético ritmo de trabalho. Com 68 anos, dizia que assim que terminava uma obra começava outra. "A cada nova obra sinto-me uma principiante", chegou a afirmar numa entrevista.
Pina Bausch faleceu no dia 3o de Junho de 2009. Mas a dança continua!...
Excerto de café muller, por pina bausch | |
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