
Em "O Rapaz do Pijama às Riscas", Mark Herman desenha um novo olhar sobre os campos de concentração nazis ao filmar a amizade improvável entre duas crianças de oito anos: Bruno, filho de um oficial alemão responsável pela gestão de um campo de concentração; e Shmuel, filho de um relojoeiro judeu, com quem está preso no campo dirigido pelo pai de Bruno.
É uma história verdadeiramente tocante, conseguindo provocar comoção e dor no espectador, sem ser lamechas. Trata-se, no fundo, de uma tragédia que coloca em causa, uma vez mais, todo aquele absurdo irracional que constituiu a base teórica (aqui apresentada no modo como no sistema de ensino era transmitida às crianças) e de acção (os trabalhos forçados e as aniquilações em série nos campos de concentração para judeus) do III Reich. Há, aliás, um momento no filme que demonstra o modo como Hitler procurou usar o cinema documental em benefício da sua acção de propaganda, a saber: quando Bruno assiste a um filme que retrata a vida nos campos de concentração como uma espécie de campo de férias com vista à doutrinação dos judeus e sua posterior integração na sociedade.
Não chega a ser uma obra-prima, mas é um bom filme com um final verdadeiramente perturbador, que nos leva, por um lado, a repensar o sentido da humanidade e, por outro lado, a nunca esquecer que o holocausto aconteceu mesmo e temos o dever de não deixar que se repita. Afinal, foi há pouco mais de seis décadas atrás.
"O Rapaz do Pijama às Riscas" - Trailer
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