quarta-feira, 15 de julho de 2009

(Re)Visões sobre a 2ª Guerra Mundial (2) - As crianças no conflito


Em "O Rapaz do Pijama às Riscas", Mark Herman desenha um novo olhar sobre os campos de concentração nazis ao filmar a amizade improvável entre duas crianças de oito anos: Bruno, filho de um oficial alemão responsável pela gestão de um campo de concentração; e Shmuel, filho de um relojoeiro judeu, com quem está preso no campo dirigido pelo pai de Bruno.

É uma história verdadeiramente tocante, conseguindo provocar comoção e dor no espectador, sem ser lamechas. Trata-se, no fundo, de uma tragédia que coloca em causa, uma vez mais, todo aquele absurdo irracional que constituiu a base teórica (aqui apresentada no modo como no sistema de ensino era transmitida às crianças) e de acção (os trabalhos forçados e as aniquilações em série nos campos de concentração para judeus) do III Reich. Há, aliás, um momento no filme que demonstra o modo como Hitler procurou usar o cinema documental em benefício da sua acção de propaganda, a saber: quando Bruno assiste a um filme que retrata a vida nos campos de concentração como uma espécie de campo de férias com vista à doutrinação dos judeus e sua posterior integração na sociedade.

Não chega a ser uma obra-prima, mas é um bom filme com um final verdadeiramente perturbador, que nos leva, por um lado, a repensar o sentido da humanidade e, por outro lado, a nunca esquecer que o holocausto aconteceu mesmo e temos o dever de não deixar que se repita. Afinal, foi há pouco mais de seis décadas atrás.

"O Rapaz do Pijama às Riscas" - Trailer
TRAILER - O rapaz do pijama às riscas
2:11


Sem comentários:

Enviar um comentário

Banda sonora para o (final de) Verão (47): "O Rapaz da Montanha" - memória e identidade na música de Rodrigo Leão

Em O Rapaz da Montanha , Rodrigo Leão regressa ao formato conceptual que atravessa grande parte da sua obra, desta vez numa dimensão assumi...