
"A Duquesa", de Saul Dibb, é bem superior ao último filme analisado neste blogue. A comparação é, porventura, abusiva, pois, na verdade, tratam-se de duas obras cinematográficas bem diferentes, tanto do ponto de vista estético, como do ponto de vista narrativo. "Mulheres" é, ou pretende ser, um retrato da mulher urbana sofisticada do nosso tempo; "A Duquesa" é um filme de época, que narra parte da vida de Georgina Spencer, duquesa inglesa do século XVIII, célebre pelo seu comportamento ousado ao assumir abertamente posições políticas progressistas e participando até em campanhas de apoio a Charles Grey. A duquesa da família Spencer (no filme superiormente defendida por uma Keira Knightley em estado de graça) granjeou espontaneamente a simpatia do povo inglês, tornando-se um símbolo da emancipação feminina.
No entanto, o que mais interessou a Saul Dibb foi a exploração da sua peculiar vida privada: o duque, seu marido, era um mulherengo compulsivo que forçou Georgina a partilhar o seu palácio com a amante. Farta de conviver com as infidelidades do marido decide pôr em risco o seu casamento ao assumir uma relação extraconjugal com um jovem político promissor. Mas, o amor aos filhos vai obrigá-la a tomar uma decisão que comprometerá a sua felicidade.
É por entre estas intrigas, que diria palacianas, que a película de Dibb se move, conseguindo fazer brilhar a actriz principal, passando, contudo, ao lado do que poderia ter sido um statemente acerca da condição feminina e das mulheres que, à semelhança de Neda Agha Soltan, brutalmente assassinada há algumas semanas no Irão, lutam pelos seus direitos. Ficamo-nos por um filme competente, o que, nos dias que correm, já não é mau.
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