
Considerada uma das figuras mais marcantes da dança moderna, Pina Bausch rompeu com o ballet clássico e criou um novo estilo: o teatro-dança. As suas produções eram de tal modo originais que criaram um novo paradigma e influenciaram o teatro europeu contemporâneo. Nunca antes alguém tinha juntado tanta ousadia à dança, incluindo números de circo, música popular, clássica e free-jazz, ginástica, cenários exuberantes e efeitos visuais jamais vistos.
Mas se hoje em dia o público aclama as coreografias de Pina Bausch, nem sempre foi assim. Muitas vezes, o que acontecia no palco não correspondia ao que constava no programa e as peças eram de tal forma vanguardistas que eram encaradas como absurdas. Parte do público vaiava os bailarinos e a abandonava a sala. Bausch chegou até a receber chamadas anónimas com ameaças de espectadores chocados. O amor do público pelas suas obras foi resultado de uma construção, diria até, de uma aprendizagem progressiva.
À semelhança de Bertold Brecht, Bausch queria que os espectadores reflectissem a partir do visionamento das suas peças. As suas coreografias eram psicológicas e rompiam com padrões estéticos do passado. Não havia hierarquia entre solistas e corpo de dança e até a encenação da relação entre homem e mulher era diferente. No ballet clássico, o homem, invariavelmente no papel de princípe, levanta a princesa sem grande dificuldade. Pelo contrário, nos espectáculos de Pina Bausch os encontros entre homem e mulher chegam a ser cómicos e, por vezes, trágicos. Outra diferença é que as suas coreografias eram baseadas nas experiências de vida dos bailarinos e, não raras vezes, construídas em conjunto. Talvez, por isso, a coreógrafa descrevesse o seu trabalho artístico como uma linguagem interpretativa da vida.
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