
"Se juntarem dois economistas numa sala, terão sempre duas opiniões, a não ser que um deles seja Keynes: nesse caso, terão sempre três opiniões".
Vale a pena lembrar esta observação, atribuída a Winston Churchill, que, de forma talvez não intencional, valoriza Keynes. A economia é sempre plural e política. E, citando uma expressão corrente, a economia é demasiado importante para ser deixada apenas aos economistas.
Na verdade, a divisão e a incerteza chegaram ao debate económico. Os recentes manifestos e contra-manifestos assinados por alguns dos mais ilustres economistas deste país à beira-mar plantado, a favor e contra as obras públicas, mostraram, mais que nunca, que não há certezas quanto ao rumo a seguir no nosso país. Pior: as críticas de alguns economistas ao partidarismo e o timing da iniciativa deitaram por terra todas as esperanças de um debate credível sobre as obras públicas. Hoje ninguém se entende sobre a real necessidade e utilidade do TGV ou da nova ponte dobre o Tejo. Há, aparentemente, apenas uma excepção: Alcochete. O aeroporto que esteve para ir para a Ota tornou-se o único projecto público de grande envergadura que tem pernas para andar. No entanto, se bem me lembro, há pouco mais de um ano o "jamais" (o itálico pretende ser fiel ao termo pronunciado em francês) de Mário Lino parecia um erro monumental de avaliação. Hoje parece uma brincadeira de crianças no país onde tudo se decide para voltar a ser decidido.
Enfim, nada de novo neste Portugal dos pequeninos.
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